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Sindicato dos Bancários de Curitiba completa 87 anos de lutas e conquistas

Publicado: 08 Julho, 2019 - 00h00

Agora, em julho de 2019, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região completará 87 anos de existência, com uma trajetória de lutas vigorosa e muito invejada, no bom sentido, pela maioria das categorias de trabalhadores.

Uma das principais entidades sindicais do Paraná ainda nos dias de hoje, sempre esteve e está presente nas lutas cidadãs do povo de Curitiba, do Paraná e do Brasil. Mas isso é fruto de muita história! Ainda dos tempos que sindicato era escrito com y – “Syndicato” –, foi que surgiu a luta e a organização dos trabalhadores bancários em Curitiba e no Paraná, como o Syndicato dos Funcionários Bancários do Paraná, fundado no dia 06 de julho de 1932.  Depois de quase três décadas funcionando como entidade que representava os anseios dos bancários do Paraná, em 1959, em virtude da criação da Federação dos Bancários do Paraná, foram desmembrados diversos municípios que fizeram alterações estatutárias e mudanças na sua razão social. O que aconteceu em Curitiba e região que, com o desmembramento, passou a denominar se Sindicato dos Bancários de Curitiba e região metropolitana. E agora, no mês de julho, o Sindicato completará seus 87 anos de lutas, vitórias e conquistas.

Nossa octogenária entidade é parte constituinte da história política e das principais lutas sociais e sindicais da república e do Estado. Há décadas, é um dos principais protagonistas quando o assunto é organização sindical e participação cidadã nos mais variados temas: eleições, participação civil, questões corporativas, participação institucional e de representação da sociedade civil em diversos conselhos, como da Universidade Federal do Paraná, conselhos estaduais e municipais de saúde, do trabalho, da mulher, dentre outros tantos. E por muitas lutas o Sindicato passou, por períodos difíceis da República e pelos ataques que sofreu a nossa democracia. Por diversas vezes, o Sindicato foi bastião de resistência e de organização das trabalhadoras e trabalhadores bancários. E isso nos levou a ser uma categoria nacional, a única a ter uma Convenção Coletiva de Trabalho válida de norte a sul do país! Nossa convenção é um conjunto de benefícios, cláusulas sociais, de saúde e condições de trabalho, assinada ao final de nossas campanhas salariais, que valem identicamente para todas as bancárias e bancários do país, indiferente da região onde estejam. Isto quer dizer que os mesmos direitos e, principalmente, os mesmos salários d as bancárias e bancários do Paraná valem para todo o Brasil. O que fortalece ainda mais a convenção como instrumento de união e organização. Nossa convenção é perseguida há muito tempo por diversas categorias, que até hoje não obtiveram a felicidade de ver implementada uma convenção coletiva nacional aos moldes dos bancários.

O legado político do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região está calçado numa história política que remonta as lutas sociais e da categoria nos últimos 87 anos, desde a data fundação, com sua existência sempre perfilada às lutas pelas causas sociais e na defesa da categoria. Fugindo desse legado somente em momentos pontuais como quando sofreu as intervenções por parte do regime civil e militar, a serviço dos banqueiros, que se instalou no país. O golpe que se abateu sobre a pátria com sua politica nefasta, segregacionista, isolacionista e perversa colocou no ostracismo diversas entidades sindicais. E tentou, em muitos casos sem sucesso, calar à voz de verdadeiros democratas defensores da liberdade e da democracia nesse país. Nos dias de hoje, com a ênfase da busca da verdade, memória e justiça, intensificou o foco em cima do recorte ditatorial, que de fato foi quando a repressão se estendeu para a sociedade civil como um todo. Mas a perseguição politica aos bancários começou muito antes, lá pelos idos de 1946, mas propriamente dita em 1947, quando foi colocado na ilegalidade, pelo Congresso Nacional, o Partido Comunista do Brasil – o PCB, que teve sua ditadura particular implementada pelo Governo Dutra e sustentada por outros importantes segmentos da sociedade paranaense.

Colocamos esse resgate histórico por que novamente estamos em um período de exceção, em que há em curso um golpe institucional e parlamentar. E nesse momento, o Sindicato se reveste de importante relevância para a categoria de bancária e financiaria, pois é quem, sem dúvida nenhuma, estará no front de luta organizando, as trabalhadoras e trabalhadores para defender direitos e conquistas históricas e lutar contra as injustiças e ainda buscar avanços nas relações de trabalho e nas questões socioeconômicas, um dos papéis fundantes do sindicato. Já vimos no tempo o quão sofreu a categoria, pelo fato de o Sindicato ter sofrido diversas intervenções que levaram a perda salariais e a carestias históricas para a categoria bancária.

Destacamos esse aspecto da luta política e histórica que teremos pela frente, porque a ofensiva do neoliberalismo é cruel, excludente, misógina, antidemocrática, antissocial e racista. Mesmo em momentos difíceis como nos anos de exceção do Estado Novo Varguista, que perdurou de 1937 a 1945, ou nos anos de chumbo da ditadura civil e militar, que se instalou nos pais 1964 a 1988, ainda assim o Sindicato teve lugar e posição de destaque e vanguarda nas lutas de interesse da categoria bancária de Curitiba e do Paraná.

Neste sentido, que consideramos fundamental esta relação de representatividade, para que possamos fazer com tranquilidade nosso papel político de representação das trabalhadoras e trabalhadores, papel que muitos não imaginam, mas vai muito além de dá representação socioeconômica, transpassando em determinados momentos a representação cidadã da categoria. Pois, as bancárias e bancários são cidadãs e cidadãos que vivem em um espaço geográfico político determinado, que é a cidade. E, por ocupar esse espaço geográfico e político, também são afetados diretamente pelas decisões políticas que os governantes e representantes tomam, para o bem ou para o mal.

Um dos exemplos que podemos descrever dessas experiências cidadãs que vivemos nos últimos tempos e que vinha com um conteúdo ideológico muito forte, foi a tentativa dos meios de comunicação de massa, nas mãos de poucas famílias, de dividir a sociedade em dois grandes blocos do "nós contra eles", inclusive com a apropriação por parcelas da população de bandeiras historicamente nossas e também de nossas cores verdes e amarelas que sempre foram nossas, e o sentido de nacionalidade, de temas como o combate a corrupção e a busca por reformas políticas estruturais que pudessem consolidar em políticas públicas importantes que vinham sendo desenvolvidas nos últimos tempos pelos governos democráticos e populares que nós, sempre com autonomia de atuação e com consciência de classe, ajudamos a eleger.  O que nos permitiu que alcançássemos o patamar de organização que alcançamos na militância sindical e popular, tendo prestígio e reconhecimento da categoria bancária e financiária. Pois ousamos colocar na ordem do dia a participação dos seus dirigentes e dos dirigentes de seus sindicatos nas mais diversas áreas da sociedade. Participa de conselhos estaduais, municipais, intervindo com a visão dos trabalhadores nesses conselhos, que são lugares onde há produção de políticas públicas para os trabalhadores. Comprovando que é uma entidade que não se acomoda apenas com a passagem das campanhas salarias de sua categoria. Temos uma postura firme e ativa na sociedade, que se revigora e se envolve, discute, aponta caminhos e participa dos debates do mundo do trabalho, dos debates de gênero, de raça e de orientação sexual. Sempre com os olhos voltados para contribuir na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária para todos, sem descriminações de espécie alguma.

Especialmente após processo traumático de rompimento da democracia que vivemos a partir de 2015 e que se efetivou em 2016, tendo desdobramentos políticos e sociais nos colocando para viver um grande período de dissenso político na sociedade. Mas isso aconteceu por um período de poucos meses, pois já observamos uma readequação e uma nova aproximação da vida sindical, onde os filiados ao Sindicato voltam a estar enlaçados com a entidade na defesa que ela sempre fez da nossa condição política e social de classe trabalhadora e da defesa intransigente dos nossos direitos e conquistas históricas. E compreendemos que o momento é de resistência e de luta política, de combate a uma horda golpista que tomou conta do poder e que, em contrapartida, entregou ao grande Capital nacional e estrangeiro, representados por grupos econômicos urbanos e rurais, todos os nossos direitos e conquistas históricas, através da aprovação das terceirizações sem limites e da reforma da trabalhista, que foram entregues em uma bandeja extremamente servil do Congresso Nacional, como gratidão por financiar com seu pato amarelo o golpe institucional e parlamentar.  Aconteceu o que dissemos que aconteceria, que a corda iria arrebentar nas costas da classe trabalhadora. E assim foi e continuam na tentativa atualmente de entregar nossa previdência, através de uma reforma misógina e excludente, que fará a atual geração e as futuras gerações trabalhar até morrer, pois acaba com a possibilidade de se aposentar com dignidade para usufruir da melhor idade e dos frutos da aposentadoria.

É nesse momento de resistência e luta que estaremos nos locais de trabalho buscando conscientizar as bancárias e bancários a continuar lutando.  Determinados a construir a unidade e a resistência para evitar os ataques que os trabalhadores, como um todo, e especialmente a categoria bancária, vem sofrendo desse governo de características fascistas no rumo da política e da economia, com ainda mais retirara de nossos direitos. Ao mesmo tempo, temos que concentramos esforços nas nossas atividades cotidianas de combate as demissões, contra o assédio moral e a avareza dos banqueiros na incessante busca do lucro.

Mas as lutas políticas sempre foram fomentadoras da nossa organização sindical ao longo dos desses 87 anos de existência do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, e isso nos orgulha muito, ter esses desafios e contar com o apoio de toda uma categoria forte e organizada para travar essas lutas políticas. Fazendo do Sindicato uma forte e vigorosa entidade, com quase vinte mil bancários na sua base e com um alto índice de filiação – e também uma das entidades de classe mais respeitadas de Curitiba e região, geralmente convocada pela sociedade civil para se nos posicionar nos mais diversos e variados temas da vida social e cidadã. Portanto, ainda é tempo de resistir às tentativas de precarização e de entrega dos bancos públicos como a Caixa e o Banco do Brasil, e insistir na defesa do emprego. O que fará nosso Sindicato mais forte, com aumento das sindicalizações, comemorando seus 87 anos e se preparando para um futuro incerto.  No mais, só podemos nos esforçar para que continuemos trilhando a boa luta em nome da categoria bancária e financiária, assim como fazemos desde a criação do nosso Sindicato em 06 de julho de 1932, há 87 anos.  Sempre com um olhar nas conquistas e na preservação dos direito e outro na resistência pela volta da democracia plena no país.

Viva os Bancários e financiários de Curitiba e região! Viva o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, e parabéns pelos seus 87 anos de existência!