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26ª Romaria da Terra será dia 19, em Mandirituba

Com o lema 'Diversidade camponesa cuida da terra, promove a vida' atividade pretende reunir 7 mil pessoas

Publicado: 03 Agosto, 2012 - 09h22

Escrito por: APP Sindicato

 

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No imaginário do Brasil, a zona rural do Paraná tem uma face amplamente conhecida: a do Estado que detém o título de um dos maiores produtores de grãos do país. E para ser mais exato, de acordo com o IBGE, o Paraná liderou a produção nacional de grãos em 2011 com uma participação de 19,7%. Esse desempenho tão comemorado é creditado, em sua quase totalidade, ao agronegócio e suas monoculturas. À margem de toda esta grandeza, no entanto, sobrevive à duras penas a agricultura familiar camponesa tradicional. E ela tem vários matizes. E é este grupo esquecido pela mídia dos altos números que mais uma Romaria da Terra do Paraná vem lembrar.

A partir do lema 'Diversidade camponesa cuida da terra, promove a vida' a Pastoral da Terra, que organiza o evento no Estado há 26 anos - e promove esta edição em Mandirituba (lar de várias comunidades faxinais) no próximo dia 19 de agosto - reforça a importância dos cultivos tradicionais realizados por famílias, assentados, quilombolas, faxinalenses, indígenas e ribeirinhos. De acordo com Juvenal Rocha, integrante da Coordenação Executiva da Comissão Pastoral da Terra do Paraná, estes grupos são responsáveis pela produção de quase 70% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro. "As grandes safras de grãos de soja, trigo, milho, entre outros, produzidos pelos grandes negócios, têm como destino a exportação. O pequeno produtor é quem garante o que chega à mesa do povo", avisa.

Segundo ele, a Romaria da Terra, em conjunto com outras duas grandes atividades - a Jornada de Agroecologia e a Festa das Sementes Nativas - são iniciativas da Pastoral, com apoio de uma série de entidades e movimentos sociais, que têm como meta dar visibilidade a estes produtores, que provam a existência de uma 'diversidade camponesa'. Para o coordenador da Pastoral, chamar a atenção da sociedade para estes grupos é fundamental para a sobrevivência dos mesmos. "Queremos dizer que estes camponeses existem. Que eles são os guardiões da biodiversidade, pois produzem de forma sustentável e preservam as sementes crioulas, e que eles precisam do reconhecimento e da valorização pelo que fazem", afirma.

E este reconhecimento, aponta Juvenal, tem formas práticas de se concretizar. "A primeira coisa é que a sociedade urbana conheça e valorize o trabalho destes camponeses. A segunda é que esses grupos tenham acesso a crédito diferenciado, para fazer o cultivo da agriculta familiar ecológica. A terceira é que se firmem acordos com universidades e laboratórios para que estes trabalhadores possuam o suporte técnico que tanto necessitam. A quarta é que eles consigam, também, maneira de agregar valor aos seus produtos através de processamentos. E, por fim, que tenham como escoar suas produções para as feiras e comércios locais, o que de fato garantirá a subsistência de cada grupo", destaca.

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