Prefeitura cancelou reunião com sindicato e ampliou a revolta dos trabalhadores da saúde
Servidores públicos e trabalhadores da saúde realizaram, na manhã desta sexta-feira (6), um ato em frente à Secretaria Municipal de Saúde de São José dos Pinhais contra a terceirização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Pinhais (Sinsep SJ), com apoio da CUT Paraná.
O protesto acabou ganhando ainda mais força por conta do cancelamento de uma reunião que estava previamente marcada para tratar do tema. A falta de sensibilidade da prefeitura em ouvir a categoria sobre os impactos negativos da mudança ampliou ainda mais o sentimento de revolta.
Para o presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, a insistência nesse modelo ignora experiências negativas já registradas no país. “A terceirização da saúde tem produzido resultados preocupantes em diversas regiões do Brasil. Como esquecer dos escândalos envolvendo as chamadas organizações sociais na saúde? Mesmo assim, gestores seguem insistindo nesse caminho, que não melhora o atendimento e tampouco valoriza os trabalhadores. Para agravar ainda mais a situação a prefeitura fecha as portas para a categoria”, afirmou.
O secretário de Saúde do Trabalhador da CUT Paraná, José de Oliveira Lima, o Bocão, também criticou a proposta. Segundo ele, a terceirização tem significado sucateamento dos serviços e precarização do trabalho. “O SAMU realiza um trabalho essencial, dia e noite, faça sol ou chuva, na cidade e no campo, mesmo diante de inúmeras dificuldades. É inaceitável a tentativa de terceirizar um serviço que salva vidas e precisa permanecer público”, destacou.
De acordo com o Sinsep, a proposta da prefeitura representa riscos à qualidade do atendimento prestado à população, além de aprofundar a precarização das relações de trabalho e reduzir o controle público sobre um serviço essencial, que exige agilidade, experiência e integração com o Sistema Único de Saúde (SUS).
O processo de terceirização está em fase de licitação pelo Consórcio Metropolitano de Serviços do Paraná (COMESP), com abertura do pregão eletrônico prevista para o dia 20 de fevereiro de 2026. A estimativa é de que mais de 100 trabalhadores sejam impactados diretamente, entre motoristas socorristas, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos. Não há, até o momento, garantia de absorção das equipes atuais pela empresa terceirizada.
A presidenta do Sinsep SJ, Samia Leiza, alertou para os impactos diretos da medida sobre trabalhadores e usuários do serviço. “Terceirizar o SAMU é precarizar os trabalhadores e colocar a população em risco. É um serviço muito importante e nós precisamos defender o SAMU público e o SUS”, afirmou.
O edital prevê a contratação de empresa para operar unidades do SAMU por um período de até 24 meses, com valor estimado em R$ 33,2 milhões. Para as entidades sindicais, além do possível aumento de custos, a terceirização pode comprometer a continuidade do atendimento e a qualidade do serviço prestado à população.