Escrito por: CUT/PR

Consulta Nacional dos Bancários é exemplo de democracia na luta

Pauta da Campanha Nacional da categoria é fortalecida a partir da participação coletiva

A Consulta Nacional dos Bancários tem mobilizado trabalhadores e trabalhadoras de todo o País. As trabalhadoras e os trabalhadores participam, de forma coletiva, na construção das prioridades da Campanha Nacional da categoria. Além de orientar a elaboração da minuta de reivindicações, o levantamento também reúne dados extremamente relevantes para compreender a situação de temas como saúde, condições de trabalho, emprego, tecnologia e direitos.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região, Cristiane Zacarias, a consulta cumpre um papel estratégico na definição das prioridades da categoria. “É um instrumento muito potente dos bancários e bancárias, porque é uma forma de apontar para os sindicatos, de apontar para o Comando Nacional, aquilo que é de fato importante, aquilo que eles querem que seja pressionado de fato na mesa de negociação com os banqueiros.”

Cristiane destaca ainda que os resultados do levantamento ajudam a evidenciar problemas estruturais enfrentados pela categoria, especialmente em relação à saúde mental e ao adoecimento provocado pelas condições de trabalho. “O resultado da consulta é uma denúncia. Quando a gente vê numa pergunta da consulta que fala sobre saúde e uma concentração muito grande de bancários falando que há um índice muito forte de adoecimento, não é só uma pauta para a minuta, é uma denúncia. Chega a ser um documento jurídico de confirmação de que aquela base está sofrendo aquele problema, por mais que os bancos possam dizer que o adoecimento não está relacionado ao trabalho”, destaca a dirigente.

Segundo a dirigente, a própria concepção da campanha demonstra que as reivindicações vão além da pauta econômica. “Passamos a chamar de Campanha Nacional entendendo que o nosso pleito não é econômico exclusivamente. A nossa minuta hoje, que tem 171 cláusulas, congrega uma diversidade de demandas que dizem respeito às questões sociais, porque nem sempre um bom salário ou uma boa remuneração justifica as diversas violências que nós vivemos no ambiente de trabalho”, completou.

A chamada pejotização, que cresce em todos os setores da economia brasileira, assim como a retirada de direitos trabalhistas, são pontos que preocupam a categoria e o comando nacional das bancárias e bancários. “A proposta de poder pejotizar é fraudar a lei. É fazer com que o trabalhador siga trabalhando no mesmo lugar, na mesma máquina, na mesma condição, mas o empregador diz para ele que, a partir de agora, ele não tem mais direitos trabalhistas. É uma enganação para os trabalhadores, um formato para moer, adoecer e manter a riqueza nas mãos de poucas pessoas”, criticou.
Ela também relaciona o crescimento dos lucros do sistema financeiro à intensificação das cobranças e metas impostas à categoria.“A nossa luta não se resulta apenas a um índice econômico, mas a um conjunto de elementos que os banqueiros promovem todos os anos contra seus trabalhadores e contra a sociedade, da qual eles exploram com altos juros. O lucro dos bancos não para de crescer, e o bancário reconhece que quem gera esse resultado são eles”, pontuou.

O Presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, que é trabalhador bancários, reafirmou que o atual modelo da campanha nacional dos bancários e a própria consulta são ferramentas que podem servir de exemplo para outras categorias. “Do Oiapoque ao Chuí os direitos são os mesmos. A negociação é a mesma. A mobilização e a luta também. Este modelo pode ser aproveitado por outras categorias, porque além de um exemplo de democracia no ambiente sindical, ele também resulta em uma grande luta unificada”, completou.

Contudo, este cenário também gera novos desafios. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, reforçou o desafio de construir uma campanha nacional unificada envolvendo trabalhadores do setor público e privado. “Nós somos uma das poucas categorias no país que faz uma campanha nacional, unificada, articulada, que junta o setor público e privado numa mesma mesa de negociação, representando 450 mil trabalhadores. Isso por si só já é um grande desafio”, afirmou durante sua participação no programa Quarta Sindical.

Ela ainda comparou a complexidade do processo de definição das prioridades da categoria ao desafio de construir consensos coletivos. Sabemos como é difícil você juntar um grupo de pessoas para escolher... você vai com sua família, com seus amigos, para um restaurante para escolher uma pizza, para escolher o que a comida do cardápio, como é difícil, né? Você imagina você juntar 450 mil trabalhadores em uma mesa para decidir quais são as prioridades para levar para os bancos”, comparou.

Além das pautas econômicas e trabalhistas, Neiva ressaltou o papel social exercido pelo movimento sindical no enfrentamento à violência contra as mulheres, por meio do Basta!. “É um projeto que a gente entrou no debate do combate à violência doméstica. Porque além da gente cobrar dos bancos que tivessem canais, que fizessem ações, nós do movimento sindical fomos fazer os nossos próprios canais. Vários sindicatos têm os seus canais [de denúncia e apoio jurídico”, pontuou.

Por fim, a presidenta do sindicato destacou a importância da democracia e da organização sindical na defesa dos direitos da classe trabalhadora. “O recado que eu deixo para as pessoas é: tem que ter democracia. Não é tudo igual não. Olha quem vota a favor dos seus direitos. E aí você vai ver que os sindicatos fortes estão do lado dessas pessoas”, finalizou.