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Encarar os retrocessos é o principal enfrentamento de novas direções sindicais em tempos de golpe

Saiba mais sobre as bases sindicais do interior do Paraná que tiveram direção renovada em 2018 em meio ao início da primeira campanha salarial pós reforma trabalhista

Publicado: 24 Maio, 2018 - 12h31

Escrito por: Paula Zarth Padilha / FETEC-CUT-PR

Neste primeiro semestre de 2018, os trabalhadores bancários de todo o país já se preparam para encarar a primeira campanha salarial pós aprovação da Reforma Trabalhista, num país com 35 milhões de desempregados, com conjuntura econômica patinando para sair da recessão pós-golpe de 2016 e conjuntura política que inclui a manutenção da prisão do ex-presidente Lula, que lidera em todos os cenários das pesquisas para a eleição presidencial de 2018.

Nesse contexto, entre os sindicatos filiados da FETEC-CUT-PR, quatro novas direções foram empossadas nos últimos meses, nas bases regionais de Apucarana, Guarapuava, Londrina e Paranavaí. Os atuais presidentes dessas entidades, Roberto Brasileiro, Sandro Zanona, Wendrel Minare e Felipe Pacheco, relatam como esse enfrentamento será coletivamente organizado para garantir a manutenção dos direitos da categoria bancária, com as especificidades de cada região.

Presidente do Sindicato de Apucarana e região: Roberto Brasileiro, bancário do Bradesco

A base do Sindicato de Apucarana e região tem 25 cidades, em que três delas não há agência bancária e mais longe, Rosário do Ivai, fica a 150 km de distância de Apucarana. Regionalmente, as atividades que giram a economia são a indústria de confecção, produção de álcool, granjas e o setor de serviços incorporado ao Vale do Ivaí. São 600 bancários na base, cerca de 72% trabalham em três destas 25 cidades: Apucarana, Arapongas e Jandaia do Sul.

“O desemprego está avançando na região e os cortes nos bancos contribuem para o empobrecimento. As cooperativas de credito, SICREDI E SICOOB, estão em expansão na região e tem absorvido diversos ex-trabalhadores bancários”, situa.

Brasileiro relembra que a entidade que representa atuou historicamente em conjunto com os demais sindicatos cutistas, participando das grandes lutas da classe trabalhadora nas mobilizações pelos direitos sociais dos brasileiros. “Desde o Governo FHC, onde atuamos contra as reformas neoliberais e privatizações. Recentemente também contra as reformas da CLT, terceirização, auditoria da dívida, previdência social, pela democracia, segurança jurídica e o direito de Lula ser candidato”.

Explica que neste mandato sindical a direção trabalhou na renovação dos quadros e tem como prioridade muita formação. “Outro ponto será a atuação firme na manutenção de nossos direitos, hoje ameaçados pela reforma trabalhista, após o golpe de 2016. Precisamos esclarecer a categoria que as mudanças políticas atuais exigem entendimento, ação e união de todos também na eleição de deputados e para presidente do país”.

Presidente do Sindicato de Guarapuava e região: Sandro Zanona, bancário do Santander

A base do Sindicato é composta por 28 municípios, com cidades que chegam a 180km de distância da sede, em Guarapuava. O índice de filiações chega a 80% num universo em torno de 500 bancários do BB. “Fazemos visita em toda a base a cada três semanas, distribuindo o Jornal Pactu, confeccionado em conjunto com os Sindicatos de Paranavaí, Campo Mourão, Toledo e Umuarama”, explica Sandro.

“Apesar de mantermos um índice relativamente alto de filiações, teremos uma certa dificuldade financeira por conta da diminuição da arrecadação, da diminuição dos bancários e também pela ofensiva contra a esquerda e o movimento sindical como um todo. Nesse sentindo, a população é considerada conservadora, e principal atividade econômica de região é a agropecuária. “Apesar disso, temos disposição para enfrentar qualquer tipo de dificuldades, inclusive nos reinventado se necessário, porém, sem perder a essência e sem esquecer que temos lado”, reafirma.

O histórico do Sindicato dos Bancários de Guarapuava é de estar sempre presente nas pequenas e grandes mobilizações, com adesão às mobilizações e greves independente de patrão e de governo. “Apesar de ser um sindicato pequeno, garante sua contribuição para luta de classes, mostrando que tem lado e que esse lado é dos trabalhadores, não somente bancários”, diz o dirigente.

Sandro assume pela segunda vez como presidente e enquanto representante da entidade cita entre os principais enfrentamentos o golpe com a retirada de uma presidenta eleita pelo voto; a representação de trabalhadores no Congresso ficou menor ainda; aprovação da terceirização irrestrita, aprovação da Reforma Trabalhista, a qual visa além de diminuir os direitos dos trabalhadores, também enfraquecer financeiramente o movimento sindical; foi interrompida a sequência de mais de uma década de ganho real na Campanha Nacional.

“Fizemos acordo por dois anos; tivemos oposição nas eleições do sindicato; além de Lula preso. Meu objetivo neste mandato é contribuir para a entidade, buscando uma maior aproximação com os representados, principalmente no que diz respeito a ideologia política. Manter o sindicato inserido na sociedade, disputando os espaços em Conselhos da administração pública e demais segmentos, para fazer a defesa não só dos interesses dos bancários, mas também de toda a classe trabalhadora. Cuidar para que o nosso sindicato não tenha “dono”, que permaneça um ambiente democrático e com respeito às diferenças, onde a decisão do coletivo seja respeitada. Faremos isso através do aprimoramento da comunicação com os bancários e com a sociedade, tomando cuidado para não descolar a fala da prática”, declarou.

Presidente do Sindicato de Londrina e região: Felipe Pacheco, bancário da Caixa em Ibiporã

“O Sindicato de Londrina sempre foi pioneiro e destaque no movimento sindical e irá resgatar seu papel”, assim define o atual momento político dentro do próprio sindicato o recém empossado presidente da entidade, Felipe Pacheco, que é dirigente pela primeira vez.

“O principal desafio deste período é enfrentar as consequências da aprovação da reforma trabalhista e do projeto político atualmente desenvolvido no Brasil, para garantirmos os direitos até aqui alcançados. Não aceitaremos nenhum direito a menos”, afirma.

“Para isso, precisamos politizar a base bancária, informando a todos aqueles que na correria do dia a dia não conseguem acompanhar o cenário político e econômico nacional, e estão apáticos frente a isso. Além disso, precisamos modernizar o movimento sindical e aproximar os bancários de seu sindicato”.

residente do Sindicato de Paranavaí e região: Wendrel Minare, bancário do Itaú

As principais atividades econômicas da região de Paranavaí estão na agricultura e indústria, principalmente o plantio de mandioca e laranja e também a sua industrialização tanto na fécula de mandioca e farinha, quanto na produção de suco de laranja e poupa concentrada que é exportada para EUA e Europa. Na pecuária é notória a criação de gado para corte e frango para corte e industrialização, atividades que fomentam o mercado de trabalho local e a atuação das instituições financeiras.

A base do Sindicato de Paranavaí é extensa, com 33 municípios e respectivos distritos, como por exemplo, a cidade de Querência do Norte, que fica a 130 km de distância. “Mas isto não impede o Sindicato de ser atuante e ter a sua representatividade. Dos 500 trabalhadores bancários em nossa base, atualmente contamos com 97% da nossa base filiada ao Sindicato”.

O dirigente afirma que há muitos caminhos a serem percorridos, muito a construir, mas que a categoria compreende a forma de administrar e de lutar da entidade. “A categoria compreende que estamos no caminho certo e cada trabalhador e trabalhadora desta base Sindical faz parte desta história”, afirma.

A nova direção propõe a luta pela manutenção dos direitos conquistados, mobilizando pela resistência. “Somos a categoria mais organizada e forte do nosso Brasil, e seguiremos trabalhando duramente para continuarmos fazendo jus a este título que ostentamos com grande orgulho”, define.

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