Entidades prometem muito barulho para garantir que a estatal continue sendo uma empresa pública
Dirigentes dos sindicatos dos trabalhadores ligados
As ações administrativas da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) indicam que a estatal pode estar no caminho das privatizações. Pelo menos esta é avaliação dos sindicatos ligados aos trabalhadores da empresa. Na última quarta-feira (11) a Assembleia Legislativa aprovou um projeto do Governo do Estado para a ampliação do capital social da Sanepar.
De acordo com a lei aprovada pelo legislativo, será permitido o aumento de capital com emissão de ações preferenciais – sem direito a voto mas com dividendos – na soma de R$ 781 milhões. Estas ações serão dadas pela companhia em pagamento a empréstimo ao Governo do Estado.
“Esta ação toda está sendo articulada para zerar as dívidas da estatal com um simples objetivo: privatizar a companhia”, alerta o diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Londrina e Região (Sindael), Alexandre Schmerega. De acordo com ele, entre as dívidas da empresa está uma ação do grupo Dominó no valor de R$ 1,2 bilhão. Ela é referente às quebras contratuais do governo Roberto Requião. “Mas este valor ainda pode ser questionado na justiça, sem contar que o residual poderia ser transformado em precatórios. Esta negociação é totalmente desnecessária no momento, a menos que a intenção seja mesmo privatizar a companhia”, completa.
Durante a votação na Assembleia Legislativa a bancada de oposição apresentou uma emenda ao projeto de lei que estabelecia um teto para a venda de ações preferenciais da empresa, determinando que o Governo do Estado pudesse vender até o limite de 50% das ações preferenciais em seu nome. “Está aberta a possibilidade de o governo vender cem por cento das ações preferenciais. O que significa que o governo poderá gerar lucro para ser distribuído em quase sua totalidade para a iniciativa privada”, denunciou o deputado Tadeu Veneri da tribuna da Assembleia Legislativa.
“Enquanto os trabalhadores sofrem para conseguir receber seu PLR de 2011 de forma justa, os acionistas que nem sabem o endereço da Sanepar têm todos os benefícios possíveis e o Governo do Estado ainda trabalha para privatizar a companhia. É um absurdo”, enfatiza o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Água, Esgoto e Saneamento de Maringá e Região Noroeste (Sindaen), José Pereira.
Ambos os sindicatos prometem não silenciar. “Vamos lutar para garantir o direito dos trabalhadores, mas também de toda a população. Todos sabemos que a água é um dos mais valiosos bens da humanidade e, portanto, deve permanecer sobre controle do Estado. Vamos nos mobilizar para garantir que isso ocorra”, finaliza Schmerega.