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Mesmo com lucro nas alturas Sanepar oferece migalhas nos salários dos trabalhadores do saneamento no PR

Da pauta de reivindicações apresentada em dezembro de 2017, a direção da Sanepar só concordou com a manutenção dos direitos atuais

Publicado: 16 Março, 2018 - 09h41

Escrito por: Armando Duarte Jr

Como era de se esperar, a Comissão de Negociação da Sanepar não ofereceu nada na reunião realizada ontem (13/03), em Curitiba, a não ser a reposição de 1,81%, que é a inflação calculada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) referente aos últimos 12 meses.

Esse encontro foi somente com dirigentes sindicais da capital paranaense, porque a empresa convocou a reunião somente na noite de segunda-feira (12), não dando tempo para que as entidades do interior se programassem para participar.

Esse reajuste é uma afronta aos trabalhadores e trabalhadoras que vestem a camisa da Sanepar e são responsáveis pelo excelente desempenho verificado nos últimos anos.

Com esse índice de apenas 1,81% o piso do pessoal que atua na área operacional vai passar de R$ 1.620,29 para R$ 1.649,59. É um acréscimo de somente R$ 29,30 nos salários, valor que é insuficiente para fazer frente ao alto custo de vida.

O valor do Vale-lanche, então, é uma vergonha: pela proposta deve passar de R$ 6,28 para R$ 6,39.

Só para ter uma ideia do que isso significa, no ano passado a Sanepar aumentou em 8,53%, em média, as tarifas cobradas dos consumidores, lembrando que os trabalhadores e trabalhadoras da empresa também são obrigados a suportar essa alta, pois não gozam de qualquer vantagem em relação à população em geral.

Desde 2011, a empresa já aplicou 124% de aumentos nas tarifas para uma inflação acumulada no período de 48%.

E como sempre ocorre quanto as nossas reivindicações são colocadas na mesa, a diretoria se esquece dos excelentes resultados que vem tendo, bem como das promessas feitas antes do lançamento de programas de incentivo à aposentadoria e de demissão voluntária. , de que com a redução da folha de pagamento haverá condições para melhorar os salários dos que continuam na empresa.

Desse jeito, a cada ano o quadro de pessoal é reduzido mais, o lucro cresce e os salários continuam engessados, sem qualquer índice de aumento real.

Isso mostra que a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da Sanepar só existe nos discursos e materiais de promoção do presidente, porque na realidade tudo continua do jeito que estava há muito tempo. Nem mesmo um aceno a possibilidade de revisão do PCCR (Programa de Cargos, Carreiras e Remuneração) essa diretoria tem a capacidade de propor na mesa de negociações, porque não quer mudar nada que possa trazer benefícios aos empregados.

Da pauta de reivindicações apresentada em dezembro de 2017, a direção da Sanepar só concordou com a manutenção dos direitos atuais, sem se posicionar a respeito de outros avanços que todos esperam em relação às negociações deste ano.


“Vamos analisar as ações a serem tomadas em conjunto pelos Sindicatos majoritários, mas o importante é que todos os trabalhadores e trabalhadoras manifestem junto às gerências o descontentamento com essa falta de reconhecimento pela Sanepar de seu valor”, ressalta Alexandre Schmerega Filho, presidente do SINDAEL (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Água e Esgoto de Londrina e Região). 

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