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“Plantio massivo de árvores enraíza mudança cultural contra o desmatamento”

Mutirão de plantios cultiva mais de 21 mil mudas durante os dias 21 e 25 de setembro

Publicado: 06 Outubro, 2021 - 12h31

Escrito por: Lucas Souza / MST

Antonio Kanova / MST
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Escola Milton Santos, em Maringá

Em comemoração ao Dia da Árvore no Paraná, entre os dias 20 e 25 de setembro, foram plantadas pelos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) 21.290 mudas de árvores de espécies nativas florestais, frutíferas e algumas arbustivas que fazem parte da produção agrícola. Entre as 21 variedades estão: araucária, cerejeira, ingá, gabiroba, goiaba, ipê roxo, manga e café. Em sua grande maioria, espécies nativas do bioma da mata atlântica. 

Lançado no ano de 2019, o plano nacional do MST, “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis'', da qual a Semana da Árvore fez parte, já distribuiu 110.753 árvores e arbustos nas áreas de reforma agrária.

Com o tema “Semear o Presente, Respirar no Futuro: Árvores Vivas e Fora Bolsonaro”, a Semana da Árvore colocou em prática, de maneira massiva, o Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis. As ações envolveram 18 municípios do estado, com participação de 20 acampamentos e assentamentos do MST, além de cinco escolas do campo.

De acordo com João Flávio Borba, engenheiro agrônomo e integrante do Setor de Produção Cooperação e Meio Ambiente  e da coordenação do Plano pelo MST-PR, o Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis tem como objetivos a preservação do meio ambiente, da biodiversidade e do cuidado com os agroecossistemas em que o MST está inserindo e principalmente a perpetuação da vida no planeta. “A campanha se encaixou perfeitamente com o cenário de crise ambiental que vivemos em todo o mundo”, complementa João Flávio. 

Para o agrônomo, o produtor, acampado ou assentado, que consegue conciliar a produção com a preservação natural, salta a frente no sentido de reconstruir e manter os tecidos ecológicos, mantendo um sistema agroecológico equilibrado e harmônico. Pois assim, o camponês cria um ambiente arborizado, que mantém a água no solo e que também é produtivo e saudável. 

As ações do MST surgem dentro de um cenário com chuvas abaixo do esperado nos últimos anos. Em maio de 2021, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), disparou o alerta de que oito grandes hidrelétricas da região Sudeste devem chegar a novembro perto do colapso. Frente a isso, o brasileiro vive hoje com o aumento do valor da energia elétrica e o medo de apagões.

De acordo com o agrônomo, as áreas de reforma agrária no Paraná são potencialmente territórios para proteção ambiental: da fauna, da flora, dos solos e da água. Para ele, “fatores como a cultura camponesa dos assentados implica em aumentar a biodiversidade de seus sistemas produtivos.”

Outro componente apontado por João Flávio, é quanto a capacidade de organização social das famílias nessas áreas, evidenciado pela quantidade de mudas plantadas desde o início do plano nacional. “Essa característica também contribui de forma determinante para uma auto fiscalização de eventuais violações ambientais de qualquer natureza dentro de suas comunidades”, completa João Flávio.

O Plano Nacional dialoga também com o esforço para mudança de cultura, de mudar hábitos que às vezes estão postas com força na sociedade. “Plantio massivo de árvores alimenta a mudança cultural contra o desmatamento. Para o povo do campo, plantar árvores com viés econômico e ambiental será determinante para se atravessar qualquer crise, minimizando seus impactos", explica o agrônomo.

 

Centenário de Paulo Freire


Tendo em vista o centenário do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, que nasceu no dia 19 de setembro, o Setor de Educação do MST do estado do Paraná, também se somou nos mutirões de plantio com os educandos das escolas do campo.

Em homenagem ao educador, foram organizadas ações de cultivo e embelezamento dos entornos de escolas, acampamentos e assentamentos, criando espaços educativos, sombreados e ampliando a produção.

Joélia Godoi faz parte da coordenação pedagógica da escola Caminhos do Saber, do acampamento Maila Sabrina, de Ortigueira, norte do Paraná. Para ela é muito importante criar formas de resistência e ela diz que “desde pequeno já incentivamos as crianças a plantar, produzir, cuidar da terra e da água e também ampliando os espaços de vivências”.



Preservação e solidariedade permanente

No mês de setembro também completou um ano das agroflorestas mantidas no assentamento Contestado, na Lapa. Como forma de unir ações permanentes com produção de alimento, o coletivo Marmitas da Terra, semanalmente realiza o plantio, a manutenção e colheita na comunidade.

Durante este período, foram produzidas mais de seis toneladas de alimento orgânico, entre eles 4.260 kg de feijão. Entre as variedade colhidas estão legumes, hortaliças, temperos, batata, milho, mandioca e feijão

Parte dessa produção vai para a cozinha do coletivo, que produz semanalmente 1.100 marmitas e que no total já distribuiu 79.600 quentinhas. Parte dos alimentos também são enviados para a cozinha comunitária da União de Moradores/as e Trabalhadores/as (UMT), que fica no Bolsão Formosa e outra parte complementam as cestas da União Solidária.

A construção coletiva de hortas comunitárias, uma iniciativa que partiu do MST e de seus militantes, ultrapassou os limites dos territórios do movimento e se estendeu para as regiões urbanas periféricas de Curitiba. Foram implantadas nos bairros Chacrinha e Sabará agroflorestas, frutos da União Solidária do campo com a cidade.