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Prisão política de Lula é para barrar as conquistas do povo pobre, diz jurista

Em aula pública no Acampamento #LulaLivre, o jurista e ex-conselheiro do Ministério Público, Luiz Moreira, ao lado de parlamentares, denunciou a ditadura implementada pelo Poder Judiciário no Brasil

Publicado: 12 Abril, 2018 - 23h02

Escrito por: Luciana Waclawovsky, especial para Portal CUT

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A prisão do ex-presidente Lula é uma interdição do povo pobre do Brasil que, ao eleger governos democráticos e populares, conseguiu ascensão social e a garantia de direitos sociais e trabalhistas, afirmou na manhã desta quinta-feira (12), no acampamento Lula Livre, montado nos arreadores da sede da Polícia Federal, em Curitiba/PR, o professor de direito e ex-conselheiro do Ministério Público, Luiz Moreira. 

“Quando Lula organizou, conferiu e reconheceu a essa população a titularidade de direitos, imediatamente aconteceu a criminalização do voto. Porque vocês acham que quase todos os líderes do PT, como [José] Genoíno, Zé Dirceu e o ex-presidente estão ou foram presos?”, questionou.

Para o professor, Lula, primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de votos, está preso fundamentalmente para não ser candidato à presidente da República. É por isso, diz ele, que os tribunais relativizam o direito que o povo tem de escolher, por meio do voto, quem quer para presidente, como se estivessem dizendo que essa opinião vale menos do que uma sentença.

“O que está em jogo no Brasil é o pouco valor do voto. Voto vale pouco e, por valer pouco, é substituído pela sentença judicial”, disse Moreira, complementando que a Justiça está criminalizando o voto desde que Lula garantiu direitos aos brasileiros e brasileiras, antes invisíveis para o Estado.

Em seu discurso, ouvido atentamente por milhares de acampados, Moreira disse que o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, quer impedir a continuidade de políticas sociais que melhoram a vida do povo brasileiro.

Gibran MendesGibran MendesGibran Mendes

 “Não é por acaso que o golpe é jurídico e se estabeleceu uma aliança entre os meios de comunicação e os tribunais. Entre estas instituições reside a elite brasileira que se diz “vítima” da ascensão popular ao poder”, explicou.

Essa elite, diz Moreira, quer impedir a transformação social que se realiza, principalmente, pelo povo que está resistindo no acampamento e vigília permanente por Lula livre.

O professor elogiou a garra e persistência da militância combativa presente aos atos e manifestações em defesa do ex-presidente Lula. Esses militantes, disse ele, “são os verdadeiros heróis e estão mostrando ao mundo que Lula nos representa e é o porta voz do processo de emancipação do povo brasileiro”.

“Não podemos aceitar que no Brasil se estabeleça uma ditadura judicial. E ela está em curso porque Lula está preso, e ele é o grande vetor de transformações populares.”

Moreira reforçou em frente à Superintendência da Polícia Federal do Paraná que o ex-presidente é um preso político, e foi julgado pelas provas de sua inocência.

“Lula já estava condenado quando resolveu que o povo teria ao menos três refeições por dia, direito à terra, educação e saúde. Isso para a elite é inaceitável. E foi aí que houve a retirada da disputa política para o campo dos tribunais”.

O jurista finalizou com um recado aos movimentos populares: “Como professor de direito dou uma recomendação a vocês: não acreditem no direito! Acreditem nos movimentos, no MST, no MTST, nas frentes populares e nos partidos de esquerda. Eles que darão legitimidade às lutas de classe em curso no país”

Lideranças políticas

Falaram também, na mesma atividade, parlamentares e lideranças políticas, que chegaram no início da manhã para se revezar no acampamento.

Deputado Federal pelo PT do Paraná, Enio Verri disse que é importante disputar a narrativa diariamente porque a mídia empresarial não diz uma linha sobre o acampamento.

“Quando a imprensa fala que não tem ninguém aqui é porque eles querem esconder que o povo no Brasil e no mundo sabe da injustiça que estão fazendo com nosso maior líder. Uma coisa é clara: tentam esconder que Lula é um preso político. E é isso que precisamos denunciar para que todos saibam que Lula é inocente e foi condenado sem prova e sem crime”, alertou o parlamentar.

Carlos Grana, ex-prefeito de Santo André, denunciou que Lula sempre foi perseguido durante sua vida e a principal prova de sua inocência é que não conseguiram a imagem do presidente algemado porque ele não é criminoso.

“Quando ele foi candidato a governado por São Paulo, em 1982, diziam que ele tinha uma casa no [bairro] Morumbi e que ia para lá por meio de um túnel. Em 1989 diziam que ele ia acabar com as igrejas. Depois disseram que todos teriam que dividir seus bens ao meio para dar a Lula. A difamação contra ele é de longa data e nossa missão é árdua: não vai ter arrego! Só sairemos daqui quando Lula sair pela porta da frente porque ele é inocente”.

Já o deputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor, elogiou a resistência da militância.

“Quem já ficou preso sabe da importância da solidariedade e cada vez que gritamos aqui ele ouve lá dentro e sabe que estamos juntos. Isso é fundamental para quem vive e convive junto do povo há muitos anos.”

Visivelmente emocionado em visitar o acampamento no final da manhã, o sociólogo Jessé Souza circulou pelas barracas organizadas e disse aos militantes que pediram uma palavra de apoio que o que está acontecendo é um ódio ao pobre.

“O que está se tentando hoje no Brasil é fazer com que o pobre volte a ser escravo, a trabalhar por nada; que volte a ser humilhado e não levante a cabeça. Mas como o próprio Lula disse, ele é uma ideia que não vai morrer: os pobres não aceitam mais servir à elite”, pontuou o escritor de várias obras que analisam o golpe em curso no país e, dentre as publicações, A elite do Atraso – da escravidão à Lava jato, livro que Lula está lendo enquanto preso político.

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