• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Santander quebra acordo e bancários protestam

Mobilização acontece em todo o País. Trabalhadores exigem cumprimento dos acordos vigentes

Publicado: 02 Fevereiro, 2018 - 09h05

Escrito por: Renata Ortega / SEEB Curitiba

A agência do Santander Marechal Deodoro e o prédio em que estão as Superintendências Regional e de Rede em Curitiba amanheceram fechados nesta quarta-feira, 31 de janeiro. A paralisação integra o Dia Nacional de Lutas, que acontece em todo o Brasil, e protesta contra medidas implementadas unilateralmente pelo banco espanhol desde que entrou em vigor a Reforma Trabalhista.

Mesmo com acordos válidos até 31 de agosto de 2018 (CCT 2016-2018 e Acordo Aditivo), o Santander tem feito mudanças – como um sistema para forçar a assinatura em um Acordo Individual de Banco de Horas Semestral – que não estão previstas e que retiram direitos. "Já tentamos por várias vezes dialogar, na tentativa de abrir a discussão, mas o banco simplesmente se nega a negociar com o movimento sindical, alegando que está fazendo tudo dentro da lei", explica Denner Halama, representante do Paraná na COE/Santander.

"Nós, enquanto representantes dos trabalhadores, não vamos permitir retirada de direitos, quebra dos acordos vigentes e medidas que prejudiquem os bancários. Essa Reforma Trabalhista só interessa aos patrões e nós vamos lutar até as últimas consequências para defender a categoria", destaca o dirigente. A agência e o prédio administrativo voltam a abrir a partir das 12h00.

Outras arbitrariedades
Além do acordo individual sobre horas extras, o Santander também informou a alteração do dia de pagamento dos salários, do dia 20 para o dia 30, e os meses de pagamento do 13º salário, antes março e novembro, agora passam a ser maio e dezembro. Os trabalhadores também sofrem com os aumentos abusivos do plano de saúde, que tem causado dificuldades para muitos deles bancarem os custos. Outro problema constante no banco é o grande número de demissões. Nos últimos dias, o banco dispensou 200 funcionários.

Histórico
Antes dos protestos, os trabalhadores já haviam se reunido com o Santander para questionar as arbitrariedades e solicitarem negociação sobre a implantação das medidas. Mas banco manteve a intransigência e disse que não haveria negociações. No dia 20 de dezembro, a categoria também já havia realizado protestos. Um ofício solicitando negociação foi enviado, mas sequer houve resposta. "Por isso, estamos novamente nas ruas protestando contra as medidas arbitrárias que retiram direitos da categoria e contra o desrespeito do banco pelos trabalhadores”, afirma Maria Rosani, coordenadora da COE/Santander.

Hora de mobilizar
“Se não reagirmos a esses ataques agora, assim que terminar a vigência do acordo e da CCT, podem ter certeza de que o banco espanhol vai cortar todos os direitos dos trabalhadores que a nova lei trabalhista lhe permite. Ou cruzamos os braços agora ou vai piorar depois”, ressalta Maria Rosani. Para Rita Berlofa, presidenta da UNI Finanças Mundial, o que está acontecendo no Santander pode acontecer também com os demais bancos e também nos outros setores. “Todos os trabalhadores precisam estar alertas e apoiar este protesto. Hoje é o banco espanhol que desrespeita e corta os direitos dos brasileiros, mas essa reforma foi feita por encomenda dos empresários. Eles vão querer colocar em prática todo o massacre que ela prevê. Ou a classe trabalhadora se levanta e luta unida desde já, ou quando pensar em fazer isso pode ser muito tarde”, conclui a dirigente. 

carregando