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Servidores de Curitiba lançam campanha de lutas e prometem contraataque

Além do índice de reposição, municipais querem o descongelamento da carreira e outros direitos

Publicado: 23 Fevereiro, 2018 - 09h09

Escrito por: Manoel Ramires / SISMUC

O Sismuc realizou assembleia geral sobre a Campanha da Lutas 2018. Com o tema, “Mexeu com você, mexeu comigo”, os servidores municipais definiram as prioridades da categoria para esse ano. Um dos focos principais é recuperar as perdas salariais e de direitos impostas pelo prefeito Rafael Greca (PMN) por meio do Pacote de Maldades. A estimativa é reivindicar 13,3% de reajuste, além da retomada dos planos de carreira e novas garantias trabalhistas.

O primeiro ato da campanha de lutas é a entrega da pauta geral no dia 7 de março. Na data, uma “Merenda com o prefeito” será realizado para marcar o evento. Em 2018, a data-base não será mais em 31 de março. Ela foi alterada para 31 de outubro. “O Greca mudou a data de reajuste, mas não mudou o prazo para a entrega da pauta dos servidores”, explica a coordenadora geral Irene Rodrigues.

 

Retrocessos

Um dos aspectos que devem ser trabalhados na campanha de lutas é a imagem do servidor público. Ao falar da crise financeira, Greca, o governador Beto Richa (PSDB) e o presidente Temer (PMDB) diziam que os trabalhadores tinham privilégios que precisavam ser cortados. Em 2018, a população percebeu que os cortes foram feitos apenas para o povo.

“Nós queremos levar para a população que o servidor também é trabalhador. Agora fica mais claro que os pacotes do governo municipal, estadual e federal foram contra os trabalhadores com o aumento de impostos, do transporte público, entre outros. Vamos mostrar para todos que mexeram com a gente e vamos reagir”, incentiva a coordenadora geral.


Reajuste
A assembleia contou com a presença do economista do DIEESE, Sandro Silva. Ele apresentou a trajetória histórica dos reajustes dos municipais, comparando à inflação do mesmo período. De 2000 a 2017, os reajustes dos servidores foram de 189,26%, enquanto a inflação foi de 218%. Isso representa uma perda de 9,95% na trajetória. “Se a gente for agregar a perda apenas com o congelamento de salários praticados por Greca, a perda histórica sobe para 15,11%”, explica Sandro Silva.

O pedido de reajuste, portanto, é a somatória da perda histórica com o congelamento de salários praticado por Greca, que não pagou o reajuste em março de 2017, tampouco em outubro de 2017. Os números pioram na medida que o reajuste só deve ser aplicado em outubro de 2018, totalizando 30 meses de salários defasados. “Do período de março de 2016, a outubro de 2018, a perda estimadas apenas nessa gestão são de 9,3%”, explica o economista.

Diante desses números, a categoria, em assembleia e de forma unânime, decidiu pedir o reajuste das perdas históricas, os valores referentes ao congelamento de março de 2016 a outubro de 2018, mais a projeção de inflação para o próximo ano e ganho real de 3,66%, referente ao crescimento da receita corrente líquida do município. Esses valores juntos representam 13,30% de reajuste.

“A conjuntura política do momento nos impõe unidade dos trabalhadores do serviço público municipal. Nós teremos muitos enfrentamentos. Mas, com certeza, o espírito unitário dessa assembleia é a alavanca que nos tornará vitoriosos nessa pauta”, incentiva a servidora Silvana Rego.

 

Finanças do município

O DIEESE questionou o argumento da Prefeitura de Curitiba com relação a exclusão dos valores destinados ao transporte público. A gestão de Greca usou o valor para dizer que a cidade extrapolava os limites prudenciais.

“Realizando o comparativo de 2016 com 2017, nota se que houve uma redução comprometimento a Despesa com Pessoal em relação Receita Corrente Líquida, passando de 45,81% para 41,19%, portanto, redução de 4,62 p.p (ponto percentuais)”, expõe o DIESSE. O limite prudencial é de 51,3% e o limite máximo é de 54%.

 

Outras pautas

É considerado principal na pauta desse ano o auxílio transporte em pecúnia, mesmo em tratamento de saúde, descongelamento dos planos de carreira com a revogação da lei do pacotaço e ampliação para servidores que não foram incorporados aos planos do magistério, professor infantil e guarda municipal.

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