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'Tinha uma economia, não me fiz de rogado: coloquei o pé na estrada por Lula'

“Aqui está presente o Brasil que queremos, unido em defesa da maior liderança da América Latina”, diz motorista pernambucano que comprou passagem só de ida para Curitiba: "Eu sou Lula!"

Publicado: 16 Abril, 2018 - 19h31

Escrito por: João Marcelo, especial para CUT

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Wellington Paiva de Araújo Góes, 41 anos, motorista, divorciado, pai de duas filhas, pernambucano que veio de Recife apenas com a passagem de vinda, explicou desse jeito, emocionado e emocionando a todos, porque decidiu pegar dinheiro da sua poupança pessoal e vir se juntar aos trabalhadores e trabalhadoras que estão no Acampamento Lula Livre, em Curitiba, no Paraná.


Júnior Lula da Silva, novo nome adotado pelo trabalhador, veio se juntar a centenas de pessoas que estão acampadas perto da sede da Polícia Federal, na capital paranaense, onde Lula está sendo mantido como preso político desde o dia 7, para lutar pelo restabelecimento da ordem democrática e pela libertação do ex-presidente.


O que motivou sua vinda a Curitiba, diz ele, com simplicidade, é que sempre foi e será Lula.

O motorista diz que “já previa o que de fato aconteceu: a prisão política e injusta do ex-presidente”. E 24 horas depois de expedido o mandato de prisão, ele já estava na estrada rumo a capital paranaense.
“Chegou a hora de fazer algo por quem tem feito muito e, certamente, fará ainda mais pelo povo desassistido desse imenso Brasil. Eu estava angustiado, precisava fazer algo por quem tanto fez por nós, principalmente para o povo nordestino”, disse Wellington.


Tomada a decisão, o motorista tratou de arrumar a vida e, na segunda-feira (9), embarcou para Curitiba, de onde diz que não vai sair até Lula ser libertado.


“Eu tinha uma pequena economia na poupança, não me fiz de rogado: decidi agir por conta própria, coloquei o pé na estrada. Fui ao aeroporto, comprei a passagem e cá estou. Cheguei aqui no acampamento na segunda, no fim da tarde, e só sairei quando o ex-presidente sair, se Deus quiser”, diz Wellington, que complementa: “pra voltar não sei como vou fazer e pouco me importa neste momento”.


Para ele, o importante é mostrar para Lula que ele não está sozinho. “Somos milhões de Lula por todo o Brasil, por todo o mundo”.


O motorista contou à reportagem do Portal CUT que conversou com alguns companheiros argentinos que estavam visitando o acampamento e eles disseram que não podemos mais – nós, brasileiros e brasileiras - chamá-lo de "nosso presidente", ele agora é do mundo, ou seja, não pertence mais a nenhum país em particular.
“Lula agora é patrimônio da humanidade na defesa por uma vida mais justa e igualitária”, disseram os argentinos, segundo Wellington.


Há uma semana no acampamento, o motorista pernambucano diz que conhecia a organização dos movimentos populares, sobretudo, a seriedade e o respeito com que as lutas são tratadas.


Segundo ele, o acampamento em Curitiba está muito bem organizado, seguro e limpo. Ele conta que a organização colocou à disposição banheiros químicos, que são limpos diariamente, e que alguns moradores locais, na verdade, a grande maioria está sendo bastante colaborativa.


“Alguns liberam inclusive suas casas para que possamos carregar os celulares, outros nos oferecem água, café e agasalhos, além de diversas mensagens e manifestações de apoio”.


Essa convivência está mudando a imagem que Wellington tinha de Curitiba, cidade que ficou ainda mais famosa por causa da maneira sensacionalista como a mídia tratou as ações seletivas de um juiz de primeira instância contra os petistas em geral e contra o ex-presidente Lula, em particular, estimulando a extrema direita brasileira a sair de suas tocas com camisas da CBF amarelas.


“Eu, particularmente, tinha de Curitiba uma imagem de intolerância. A minha rotina aqui fez com que eu tivesse de desconstruir essa visão. Vejo muita gente da cidade auxiliando em doações de comida e agasalhos, além de uma participação massiva da juventude curitibana”, diz.


“Em apenas um dia, chegamos a receber 500 quilos de alimentos doados por moradores da cidade. Ontem, no domingo, percebemos que mais da metade das pessoas presentes ao acampamento era de Curitiba”, contou o motorista.
Sobre o que Lula fez pelo Nordeste, uma das Regiões mais castigadas pelos governos anteriores que praticamente ignoraram as necessidades do povo, o motorista diz que fez tanto que ele nem pensaria duas vezes em trocar de lugar com Lula.


“Não pensaria duas vezes em mudar de lugar com ele, na verdade seria uma imensa honra”.
Wellington diz que tem sobrinhos formados - advogados e professores – graças à política educacional inclusiva adotada por Lula. Lembra também que, antes de Lula, era comum, nas grandes praças de Recife, ver um aglomerado de famintos, pobres oriundos do interior que buscavam na capital uma possibilidade de vida mais digna.


“Desde que Lula assumiu, com o compromisso de erradicar a fome no Brasil, não se via mais nas praças aquele contingente desesperançado, aquela massa faminta. Foi gritante a diferença”, diz ele.


“Hoje o nordeste respira ares de novidade numa sociedade mais justa e igualitária. Tudo isso consequência das políticas adotadas por Lula em seus mandatos. Pelo que já fez, e pelo que sei que ainda fará, eu digo em alto e bom som: EU SOU LULA”, conclui emocionado o pernambucano.

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