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Vereadora do PSOL que denunciou BPM é assassinada no Rio

Atos ocorrem por todo país nesta quinta-feira cobrando apuração rigorosa

Publicado: 15 Março, 2018 - 10h37

Escrito por: Manoel Ramires / Porem.net

 

A vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada nesta noite (14). Segundo a versão apresentada pela Polícia Militar, a vereadora foi vítima de um assalto. No domingo, a vereadora havia denunciado excessos do Batalhão da Polícia Militar na favela de Acari.

De acordo com a PM, “bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Eles fugiram sem levar nada. O caso vai ser investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DH)”, como registra o site G1.

Duas horas antes do assassinato, a vereadora estava em uma roda de conversa de mulheres negras chamado “Jovens negras movendo as Estruturas”. Ela é a relatora da auditoria da intervenção militar e denunciou uma ação de PMs do 41º BPM (Irajá) na Favela de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da truculência dos policiais durante a abordagem a moradores. Ela compartilhou uma publicação em que comenta que os rapazes foram jogados em um valão. De acordo com moradores, no último sábado, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram populares no entorno.

A jornalista da ESPN, Gabriela Moreira, esteve próximo ao local do assassinato. Em sua conta no Twitter ela conta o que viu: “Estavámos eu e amigos num bar na Joaquim Palhares a cerca de 30 metros de onde Marielle foi assassinada. Alguns ouviram disparos, outros, nem isso. O que se pôde ver: os tiros saíram de um carro branco, que fugiu em direção ao São Carlos”.


Gabriela também conta que bem próximo ao local havia uma viatura da Polícia Militar. “uma viatura da PM estava estacionada a pouquíssimos metros de onde tudo aconteceu. Isso é apenas informação. Não posso dizer que os PMs presenciaram. Podem ter saído momentaneamente. Mas o fato é que minutos depois, um policial adentrou o bar pedindo um giz para marcar local”, suspeitou a jornalista.

“Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu Marielle.

Notas de repúdio

O Partido dos Trabalhadores do Rio e o PSOL já emitiram nota sobre o assassinado. O PSOL disse que o partido “vem a público manifestar seu pesar diante do assassinato da vereadora Marielle Franco. Estamos ao lado dos familiares, amigos, assessores e dirigentes partidários do PSOL/RJ nesse momento de dor e indignação. A atuação de Marielle como vereadora e ativista dos direitos humanos orgulha toda a militância do PSOL e será honrada na continuidade de sua luta. Exigimos apuração imediata e rigorosa desse crime hediondo. Não nos calaremos!”

Já o PT desejou “aos companheiros do PSOL e a família nosso pêsame sincero e nossa mais irrestrita solidariedade”. Para o partido, “as primeiras informações são confusas, mas é preciso que as forças de segurança sejam rápidas e eficiente na apuração das circunstâncias deste crime que consternava todos nós. Exigimos mobilização total para uma rápida apuração deste crime”.

O partido também se pronunciou nacionalmente, por meio de uma nota de sua presidente Gleisi Hoffmann. “O brutal assassinato da vereadora Marielle Franco é um crime que atinge diretamente a cidadania e a democracia. Marielle foi executada no momento em que vinha denunciando os abusos de autoridade e a violência contra moradores das favelas e bairros pobres da cidade, por parte de integrantes de um batalhão da Polícia Militar”, destacou.

Atos

Na quinta-feira (15), às 11h, na Câmara dos Deputados, o PSOL na Câmara realiza um ato em memória e solidariedade ao motorista Anderson Pedro Gomes e à vereadora do PSOL/RJ, Marielle Franco, “brutalmente assassinados nesta quarta-feira”, segundo nota do partido.

Outros atos estão sendo organizados por todo o país. Em Curitiba, ocorre uma vigília em solidariedade aos familiares, amigos e camaradas de Marielle e Anderson. Em memória desta lutadora negra, que deu sua vida para combater a milícia, a militarização e o genocídio da negritude. O evento está marcado para às 18h30, nas escadarias da UFPR (Santos Andrade).

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