Ato de educadores(as) pressiona governo e pauta deputados(as) na Alep
Protesto realizado nesta segunda-feira (16) faz parte da agenda de mobilizações aprovada em assembleia estadual, que definiu a realização de greve caso o governo não avance nas negociações
Publicado: 17 Março, 2026 - 11h00
Escrito por: APP-Sindicato
Professores(as) e funcionários(as) de escola, da ativa e aposentados(as), realizaram uma mobilização nesta segunda-feira (16), em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para pressionar o governo a atender aos itens da campanha salarial da categoria. O protesto dos(as) educadores(as) pautou os discursos de parlamentares que, durante a sessão legislativa realizada no período da tarde, destacaram a urgência e o apoio às reivindicações. O ato faz parte da agenda de mobilizações aprovada em assembleia estadual, que definiu a realização de greve, a partir do dia 23 de março, caso o governo não avance nas negociações.
“Toda a pressão que temos feito, nas nas redes sociais, na recepção ao governador e ao secretário pelo estado, o diálogo com os deputados e deputadas e hoje com este ato fizeram que as nossas pautas entrassem no debate do governo. As tratativas estão avançando, inclusive com a possibilidade de ajustes para garantir que os projetos de lei sejam enviados e votados na Alep dentro do prazo eleitoral. Por isso, a nossa tarefa é continuar a pressão, fortalecendo nossa organização. Se o governo não apresentar avanços, a categoria vai parar. A greve é nosso último recurso e isso só depende do governo,” destacou a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
“O governo foi readequando outras carreiras e ainda falta o magistério. Conversamos hoje com a APP-Sindicato e iniciamos um debate em nome dos nossos deputados com a Casa Cívil e cabe a nós correr para que um projeto venha para cá (Alep)”, aponta o líder do governo, deputado Hussein Bakri (PSD), líder do governo na Alep. Os deputados Professor Lemos (PT), Renato Freitas (PT), Evandro Araújo (PSD) e Arilson Chiorato (PT) também usaram a palavra para defender o atendimento das pautas dos(as) trabalhadores(as) da educação.
A mobilização dos(as) educadores(as) prossegue nesta terça-feira (17), sob convocação do Fórum das Entidades Sindicais (FES). O ato reunirá diversas categorias de servidores(as) estaduais para cobrar a aplicação da data-base, o descongelamento de quinquênios e anuênios, além da reposição salarial integral para os(as) aposentados(as) e outras pautas.
“Amanhã voltamos para o Centro Cívico com os outros sindicatos de servidores. Teremos a representação das forças de Segurança, da Saúde das Universidades, dos trabalhadores que estão em outras instâncias representadas no QPPE. E nossa briga central será o índice da data-base. Queremos um índice pelo menos para esse ano que recupere parte das perdas que temos acumulado nesses últimos oito anos”, finaliza a presidenta.
Mobilização
No período da manhã, Walkiria expôs a grave distorção salarial que afeta tanto professores(as) quanto funcionários(as). Enquanto o governo anuncia o Paraná como a “melhor educação do país”, um(a) professor(a) em início de carreira recebe R$ 4.920 para uma jornada de 40 horas. Em comparação, profissionais com a mesma formação em outras secretarias do Estado entram ganhando R$ 7.600.
“Ninguém quer a educação como profissão. O que nós estamos vendo são os jovens desistirem de ser professor. Abre o concurso, chama, e quando eles veem o tamanho do serviço para R$ 4.900, desistem”, alertou a presidenta.
Para os(as) funcionários(as), a crítica foca na injustiça do enquadramento na nova carreira, que ignorou o tempo de serviço. “Não é justo que aquele que já está com 30 anos de carreira seja enquadrado no meio da tabela e não tenha mais condição de avançar”, pontuou.
Durante a tarde, a mobilização continuou na Alep, com o acompanhamento da sessão plenária e o diálogo direto com parlamentares para pressionar o Executivo pelo envio dos projetos. Na ocasião, deputados(as) da base do governo e da oposição convergiram em defesa de projetos que garantam a aplicação da data-base e reestruturação das carreiras para professores(as).
Urgência
Diante da urgência da pauta, a categoria se reuniu em assembleia estadual on-line, no último sábado (14), e deliberou que se não houver resposta definitiva do governo até o dia 20, a categoria entrará em greve a partir do dia 23 de março. As deliberações ampliam o movimento de pressão da categoria sobre a gestão Ratinho Jr. para atendimento da campanha salarial dos(as) educadores(as).
A decisão foi tomada após avaliação das mobilizações já realizadas e um amplo debate sobre a necessidade de ampliar o tom das próximas ações. A definição é de intensificar os debates nas escolas e com a sociedade e de assembleia estadual permanente, com convocação de reunião de avaliação durante a semana, podendo ser reunião do comando de greve ou do Conselho Estadual da APP-Sindicato.
A presidenta Walkiria lembrou que, por ser um ano eleitoral, o governo tem um prazo jurídico apertado. Todos os projetos de lei precisam ser protocolados e votados na Alep antes do dia 4 de abril. “Estamos aqui hoje, amanhã com o FES, e se não tivermos resposta, segunda-feira as escolas estão paradas. Temos toda a disponibilidade para negociar e ajustar a proposta, agora, sem resposta, não vai ter jeito”, finalizou Walkiria.
Equiparação salarial
A presidenta reforçou que a excelência da educação paranaense é sustentada pelo esforço dos(as) trabalhadores(as) e exigiu que o governo Ratinho Jr. trate a categoria com a mesma prioridade dada aos outros setores do funcionalismo.
“Nós fazemos muito bem o nosso trabalho na escola. Se o governo usa da propaganda da educação neste estado, é fruto do trabalho de cada professor e professora, pedagogo, pedagoga, diretor, diretora, funcionário e funcionária. Mas nós queremos justiça salarial. Não estamos pedindo nada mais do que já foi dado aos outros servidores”, afirmou Walkiria.
Educação em luta
A mobilização desta segunda focou em pontos inegociáveis para garantir a sobrevivência da carreira e o sustento de quem já dedicou a vida à escola pública:
Data-base para todos(as): recomposição imediata de, no mínimo, 12,8%, índice referente à defasagem inflacionária acumulada de agosto de 2023 a abril de 2025. É o pagamento de uma dívida que corrói o poder de compra de ativos e aposentados;
Equiparação salarial do magistério: correção urgente da tabela para equiparar o salário inicial aos demais técnicos de nível superior do Estado (R$ 7.600), acabando com a exclusão dos professores da reforma salarial feita para as outras carreiras;
Valorização dos(as) funcionários(as): revisão da tabela para corrigir as distorções da reforma de 2023. A categoria exige isonomia salarial com os demais quadros do Executivo e o enquadramento que respeite o tempo de serviço trabalhado;
Justiça para os(as) aposentados(as): a categoria exige o fim do confisco previdenciário, com a fixação do desconto apenas para quem recebe acima do teto do INSS (R$ 8.475,54). Além disso, luta pela aprovação de uma lei estadual que garanta a correção salarial anual para os 13 mil educadores(as) sem paridade, que hoje são esquecidos(as) pelos reajustes da ativa.