CUT e Sintcom lutam contra o fechamento de agência dos Correios em Sarandi
Dependência é a única da empresa no município e presta serviços essenciais à população
Publicado: 26 Maio, 2026 - 10h58 | Última modificação: 26 Maio, 2026 - 11h21
Escrito por: CUT-PR
Nesta segunda-feira (25), na Câmara de Vereadores de Sarandi, na região Noroeste do Paraná, aconteceu uma grande mobilização da população contra o fechamento da única agência dos correios da cidade. A CUT Paraná e o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) participaram da manifestação pública.
A secretária-geral licenciada da CUT Paraná, Vera Nogueira, destacou a preocupação na cidade com possibilidade do fechamento previsto para o dia 28 de maio. “Os serviços de atendimento ao povo devem ser a prioridade e as agências dos correios que ainda são públicas precisam se manterem públicas. O povo não pode ser prejudicado por interesse de gestão ou intenção de privilegiar interesse privado. Não concordamos com o fechamento dos correios em Sarandi e nenhuma mais no Paraná e no Brasil”, afirmou após participar da manifestação.
O presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, reforçou que a medida não atende nenhum interesse concreto da classe trabalhadora. "Estão sucateando o serviço dos correios com medidas que serão terríveis tanto para a população quanto para as trabalhadoras e trabalhadores dos Correios. Embora há quem possa pensar que se trata de uma questão local, está no radar dos Correios seguir com ações semelhantes em todo o Brasil. Este sucateamento, seja em Sarandi ou em qualquer outro município, não podemos aceitar", afirmou.
A medida deve impactar milhares de pessoas que dependem dos serviços da agência no município de 150 mil habitantes. Em carta aberta divulgada à população de Sarandi, o Sintcom-PR alerta que a substituição da agência própria por franquias terceirizadas não garante o mesmo nível de atendimento à população. O documento destaca que os Correios exercem papel estratégico em diversos serviços públicos, como atendimentos relacionados ao INSS, Receita Federal, emissão de CPF, envio de documentos, além do apoio em campanhas de vacinação, distribuição de livros didáticos e realização de provas como o Enem.
Ainda segundo o sindicato, atualmente 21 bairros da cidade não possuem entrega domiciliar regular. Com o encerramento da unidade, a expectativa é de que muitos moradores terão de se deslocar cidades vizinhas para acessar serviços básicos dos Correios. O sindicato ainda critica ainda o processo de “reestruturação” promovido pela direção da empresa, que prevê o fechamento de mais de mil unidades em todo o país.
A presidenta da entidade, Elisabeth Ortiz, diz que há uma tendência em crescimento e que precisa ser barrada. "O Sintcom/PR denuncia o fechamento acelerado de unidades dos Correios no Paraná, sem diálogo com trabalhadores ou representantes da categoria. São cerca de 50 agências no estado que estão sendo encerradas, em um processo que representa desrespeito ao papel social exercido pelos Correios junto à população brasileira", denuncia a dirigente sindical.
Ainda de acordo com ela, o caso de Sarandi evidencia os prejuízos provocados por uma privatização silenciosa. "Com serviços sendo transferidos para franquias que priorizam o lucro em detrimento do atendimento público. Estamos também alertando para os impactos aos trabalhadores e trabalhadoras, que estão sendo transferidos compulsoriamente para outras cidades. Reforçamos nosso compromisso com a defesa dos Correios como patrimônio público essencial para a soberania nacional e a inclusão social", completou.