Em defesa do serviço público: sindicatos do Paraná lançam nova campanha
Campanha e estratégias foram apresentadas durante reunião nesta quinta-feira (7)
Publicado: 08 Maio, 2026 - 09h38
Escrito por: Luis Lomba / Vigilia Comunica
“Todos pela proteção dos serviços públicos” . Esse é o mote da campanha lançada quinta-feira (7) por sindicatos de servidores estaduais do Paraná. Não se trata de campanha salarial, embora os materiais de divulgação mencionem os 47% de defasagem, mas de valorização do serviço e do servidor público, do patrimônio comum e dos interesses coletivos. “O patrão do servidor estadual não é o governador, é a sociedade, que desconhece o serviço público, as funções públicas e o servidor. Nosso objetivo central é nos comunicarmos com a sociedade além das nossas categorias”, explica Valter Fanini, dirigente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge).
A campanha, apresentada a jornalistas na sede do Senge, apresenta à sociedade quem são os servidores estaduais, onde estão e o que fazem no cotidiano para garantir os serviços essenciais à população, com vídeos e ações de comunicação que destacam a importância do serviço público e de seus profissionais para o funcionamento da sociedade. “A ideia é fortalecer uma estrutura que presta serviços à sociedade e que não é entendida. Não é uma campanha que tem fim, é um modelo de atuação que a gente vai perseguir para ver onde a gente chega”, afirma Fanini.
O dirigente descreve como a apropriação por interesses privados se estende do serviço público aos servidores, sem resistência da sociedade, muito por causa da desinformação. A privatização da Copel e a queda na qualidade dos serviços prestados é um exemplo disso. “A empresa foi constituída totalmente dentro do setor público, com políticas públicas, por políticos e engenheiros com visão pública, com capital e tecnologias formatados, uma das mais eficientes do Brasil, que poderia vender energia barata, pois teve muitos investimentos amortizados, construída com esforço da sociedade, agora é capturada por um grupo que a manipula facilmente, sem resistência na sociedade, que não tem consciência do que está acontecendo. O resultado está aí: um serviço extremamente caro que não entrega o mínimo”, resume.
Serviços públicos prestados por empresas privadas são uma aberração que só prejudicam a população, aponta Fanini. “São serviços públicos e foram arrolados como públicos na Constituição porque não são apropriados para serem fornecidos pelo setor privado porque constituem monopólios naturais”, afirma. O golpe vem quando um monopólio é privatizado e a população tem que pagar a conta. “Arrolam como serviço público, estabelece-se o monopólio do poder público e agora capturam como um negócio privado. Isso cria um monopólio público de interesse privado, que é o melhor negócio que existe (para o capitalista), porque você tem risco zero e garantia de impor a tarifa que você quer. Eles são predadores e têm os recursos”, completa.
Além do Senge, puxam a campanha o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública (APP-Sindicato), Sindicato dos Trabalhadores de Saúde (SindSaúde), Sindicato dos Servidores do Poder do Judiciário do Estado do Paraná (Sindijus-PR) e Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultura e Meio Ambiente Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (Sindiseab).
A campanha destaca também a importância de o governo do Paraná cumprir a data-base, mecanismo que garante a revisão salarial anual dos servidores com base na inflação. A reposição integral das perdas inflacionárias não tem sido aplicada, o que tem provocado uma significativa defasagem salarial ao longo dos últimos anos. Estimativas de entidades do funcionalismo apontam que as perdas acumuladas no período já chegam a 47%. Outro ponto é a situação dos servidores aposentados sem paridade, que não recebem os reajustes concedidos aos servidores da ativa, ampliando a perda de poder de compra ao longo do tempo.
Também está entre as pautas dos servidores o descongelamento da contagem de tempo para quinquênios e anuênios, adicionais concedidos conforme o tempo de serviço. No caso do quinquênio, por exemplo, o servidor tem direito a um acréscimo de 5% sobre o salário-base a cada cinco anos de exercício, conforme previsto no Estatuto do Servidor Público do Paraná. Para as entidades representativas, garantir essas condições é fundamental para a valorização das carreiras públicas e para a manutenção de serviços públicos de qualidade à população.