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Fim da greve de fome é apenas o começo da luta

Central reitera apoio aos profissionais da educação

Publicado: 27 Novembro, 2020 - 09h24 | Última modificação: 27 Novembro, 2020 - 12h16

Escrito por: CUT-PR

CUT-PR
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Na noite desta quinta-feira (26), os profissionais da educação decidiram, em assembleia, pelo fim da greve de fome. Foram oito dias nos quais diversos trabalhadores e trabalhadoras ficaram acampados em frente ao Palácio Iguaçu sem qualquer tipo de alimentação. De acordo com a APP-Sindicato, a greve foi encerrada para garantir a saúde dos grevistas. Contudo, a mesma assembleia, apontou para novas mobilizações.

 

O presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, criticou duramente a insensibilidade do Governo do Estado, que segue sem abrir um canal de diálogo com a categoria. “Se um governo é insensível ao flagelo da fome, literalmente flerta com o fascismo. Não somente para atender seus objetivos, mas categoricamente flerta por perversão e ódio de classe. E foi isso que o Governo de Ratinho Junior e seus secretário da Educação Renato Feder demonstraram em relação à greve de fome dos professores, funcionários de escola, dirigentes sindicais e professores PSS`s de diversos núcleos regionais da APP/Sindicato”.

Entre as grevistas, estava a secretária de mobilização e movimentos sociais, Taís Adams. Ela permaneceu durante os oito dias em frente ao Palácio Iguaçu. Em vídeo gravado para o Quarta Sindical, programa semanal de entrevistas e debates promovidos pela Central em parceria com o jornal Brasil de Fato, ela relatou a experiência. ““sou professora do estado há quase 10 anos, concursada, mas permanecemos em luta pelos PSSs. Eu perdi 8kg. Não é fácil estarmos aqui e longe da família. Fisicamente são uma série de sensação desagradáveis. Senti sensações de desmaios constante, muito enjoo, dor de cabeça e tremores. O momento mais difícil foi quando passamos mal de madrugada, com crise de hipotensão e hipoglicemia. Neste momento não conseguimos pedir ajuda de ninguém para recuperarmos. Resta apenas beber água”, disse no sexto dia visivelmente emocionada.

Marcio Kieller e Tais Adams 

 

Segundo o secretário de Comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, a APP-Sindicato continuará mobilizada, denunciando os ataques do governador Ratinho Jr. e o secretário da Educação, o empresário Renato Feder e cobrando que as pautas da categoria sejam atendida. 

“A greve de fome se deu pelo descaso e insensibilidade do governador Ratinho. Desempregar milhares de pessoas e colocar outras milhares em risco em plena pandemia são provas de que o governo do Paraná não se preocupa com a vida do povo paranaense. Por isso vamos intensificar a luta e desmascarar esse governo que se esconde como rato do debate com a categoria. Saímos mais fortes e mais dispostos a enfrentar e denunciar os abusos do governador e do comerciante que ocupa a secretaria de educação”, destaca Luiz.

A secretária geral da APP-Sindicato, Vanda Santana, destacou a importância da greve de fome como forma de mostrar o profundo desrespeito com os servidores e servidoras. "A greve de fome foi uma das etapas da nossa luta. Ela teve um saldo positivo que foi desnudar o governador Ratinho Júnior. Mosta que ele têm lado que é o do empresariado. Desde que o governador tomou posse, ele não se reuniu com nenhum sindicato dos servidores públicos. Demonstrando, assim que está governando para e elite deste Estado. Estamos nesta luta contra esta prova para contratação de professores temporários e contra a terceirização dos funcionários de escola. Temos no estado um contrato para quase 10 mil funcionários de escola que vence em 31 de dezembro. Em outros anos o contrato já foi prorrogado. Em plena pandemia, em estado de calamidade pública e com o agravamento da pandemia, se ele tivesse um pouco de olhar para a classe trabalhadora, prorrogaria os contratos e garantiria os empregos destas pessoas, que trabalham no Estado há muitos anos tem na sua grande maioria mais de 45 anos de idade. O último concurso público foi em 2005 e eles não tiveram oportunidade de serem efetivados", analisou.

 

Contudo, segundo Vanda, este foi apenas o primeiro passo de uma série de mobilizações."Temos ainda muita mobilização para fazer em novembro e dezembro. Entendemos que enquanto este projeto estiver governando nosso Estado teremos muita luta e enfrentamento. Nossas próximas mobilizações é para derrotar essa prova e continuaremos fazendo toda a denúncia junto à sociedade e com forte ação junto aos prefeitos que sediarão esta prova, assim como com o Conselho Estadual de Saúde, Ministério Público e Secretarias Municipais de Saúde. Temos que nos reorganizar e isso já aconteceu ontem com a nossa assembelia em que deliberamos um calendário de construção de uma greve para o início do ano letivo. Não significa que a luta parou, muito pelo contrário, temos um extenso calendário de mobilizações e grandes desafios pela frente", completou.  

 

Reivindicações

A categoria reivindica a revogação do edital de PSS que prevê uma prova presencial para mais de 47 mil pessoas, no dia 13 de dezembro, durante a pandemia. São oferecidas somente 4 mil vagas para um contrato de apenas um ano. As inscrições foram encerradas essa semana e os candidatos ainda foram obrigados a pagar uma taxa de até R$ 105.

O Sindicato denuncia que, além de não valer como concurso público e colocar vidas em risco de contaminação pelo novo coronavírus, essa iniciativa do governador Ratinho Junior e do empresário Renato Feder vão desempregar cerca de 20 mil professores(as). Outra medida do governo é a terceirização de funcionários(as) das escolas, que deixará aproximadamente 10 mil pessoas sem emprego no final deste ano, em plena crise financeira e sanitária.

Atualmente a rede estadual de ensino possui aproximadamente 30 mil profissionais contratados(as) através de processo seletivo simplificado, como se fossem demanda temporária. O número corresponde a um terço do total concursado(a) e o governo vem burlando a legislação para não realizar o ingresso desses(as) profissionais através de concurso público, como determina a Constituição.