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Manifestações do dia 12 de setembro: por que foram?

Debate sobre unidade contra o Bolsonaro chega ao Quarta Sindical com a participação do deputado Federal Orlando Silva e a presidenta da Associação Nacional dos Estudantes de Pós-Graduação (ANPG), Flávia Calé

Publicado: 15 Setembro, 2021 - 12h11 | Última modificação: 16 Setembro, 2021 - 09h28

Escrito por: CUT-PR

Roberto Parizotti / Fotos Públicas
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No último domingo (12) manifestações foram realizadas, em diversas cidades, em defesa do impedimento de Jair Bolsonaro da Presidência da República. Os atos, contudo, além de esvaziados geraram um grande debate no campo progressista. É possível ir às ruas ao lado de coletivos como o Movimento Brasil Livre (MBL)?

Para debater estas questões e analisar o ponto de vista de quem foi às manifestações e pertence ao campo progressista, o Quarta Sindical desta semana recebeu dois convidados. O deputado federal pelo PcdoB, Orlando Silva e a presidenta da Associação Nacional dos Estudantes de Pós-Graduação (ANPG), Flávia Calé.

Para o parlamentar é preciso olhar para o futuro e ter como ponto central a retirada de Jair Bolsonaro da Presidência da República. “Estive sempre do mesmo lado. Sempre fui ativista popular de bairro, de grêmio estudantil, de centro acadêmico... Eu tenho orgulho de ter servido durante nove anos aos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma como ministro. Fui vice-líder do Governo durante o Golpe de 2016. É justamente essa trajetória que eu reivindico quando faço o debate aqui, que inclusive, parece surreal”, comentou.

Segundo ele, o debate não deveria existir porque a retirada de Bolsonaro deveria ser a grande prioridade dos movimentos progressistas. “Não por acaso o Lula caminhou pelo nordeste e se encontrou com golpistas. O Lula está certo. O trabalho que ele faz é deslocar uma parte da classe dominante, que foi funcional para o Golpe, para retomarmos o projeto de País. Não é pelo PT, por ele, ele já foi presidente duas vezes. É para atender o povo que precisa. Nós que estamos sem passar fome, sem estar desalentados ou desempregados, precisamos ter solidariedade com essa gente”, argumentou.

Flávia Calé também fez a análise de colocar a saída de Jair Bolsonaro como ponto imprescindível para a construção do Brasil. “Eles (MBL e outros movimentos) mudaram a agenda política, não nós. Foi a UBES e a ANPG que puxaram a primeira grande movimentação do Fora, Bolsonaro, no tsunami da educação em 2019. Então, nós nunca saímos das ruas, eles fizeram a inflexão e nos convidaram. Nós percebemos uma grande confusão entre as pessoas comuns e também que nós precisamos criar pontes com todos os setores sociais. O impeachment só vai ser aprovado com maioria no congresso nacional e isso extrapola a esquerda. Precisamos também construir a unidade nas ruas e enfrentamos esse debate político apesar das divergências. Fomos lá fazer esse gesto para que consigamos perceber que nesse momento precisamos deixar as diferenças, que são muitas, de lado”, analisou.

"Não existe só um Fora, Bolsonaro. Vida, pão, vacina e educação, que era a nossa bandeira, também foi cantada nesse ato. Havia muita gente do nosso campo, muito jovem, que é uma coisa que vemos nas nossas manifestações. A juventude, as mulheres, a população negra, todo mundo sofre muito, mas a juventude está sem perspectiva nenhuma. Aumento de violência, massa de jovens que saíram da escola e dificilmente voltarão, aumento do trabalho infantil, gente desistindo da universidade, enem com 50% de desistência. Nas universidades há uma fuga de cérebros do Brasil, pesquisadores sem bolsa e trabalhado em aplicativos para se sustentarem. Esse cenário motiva a juventude ir às ruas e há muita dúvida sobre qual caminho escolher. Se unirmos todo mundo, as pessoas podem encontrar um ambiente mais favorável para ir", completou.

No programa de hoje você ainda confere outras análises dos convidados sobre a importância da unidade na avaliação deles, as contradições envolvidas nessa organização e pontos específicos dos atos. Veja, na íntegra, a edição desta semana disponível no vídeo abaixo e não esqueça de anotar na sua agenda: Todas às quarta-feiras, às 11h30, o Quarta Sindical é transmitido ao vivo em FB.com/CUTdoParana e nas parceiras que retransmitem o programa.