No retorno dos trabalhos, SISMUC mobiliza servidores na Câmara de Vereadores
Categoria intensifica pressão sobre gestão Pimentel
Publicado: 03 Fevereiro, 2026 - 09h24
Escrito por: Riquieli Capitani / SISMUC
Servidoras e servidores públicos municipais, organizados pelo SISMUC, estiveram mobilizados na Câmara Municipal de Curitiba, nesta segunda-feira (02/02), durante a sessão que marcou o retorno dos trabalhos legislativos. A presença do funcionalismo teve como objetivo pressionar vereadores, secretários municipais e o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) para que as pautas históricas da categoria entrem na agenda política do Legislativo e do Executivo e sejam efetivamente atendidas.
Durante a mobilização, que reuniu trabalhadoras e trabalhadores da ativa e aposentados de diversas categorias, o prefeito Eduardo Pimentel foi vaiado em diversos momentos ao longo de seu discurso, especialmente quando tratou de temas sensíveis ao funcionalismo, como o piso salarial da educação infantil, a situação dos descontos irregulares do Banco Master e a condução da política de privatização e terceirização da saúde, evidenciando o distanciamento entre o discurso oficial e a realidade vivida nos locais de trabalho.
Diante desse cenário, o SISMUC reforça constantemente que a valorização dos servidores é condição essencial para o fortalecimento do serviço público e para a garantia de políticas públicas de qualidade à população. Entre as principais reivindicações estão a realização de novos concursos públicos, o auxílio-alimentação para todos os servidores, o piso salarial na tabela para os professores da educação infantil, o fim das terceirizações na saúde e na educação, o fim do desconto de 14% sobre aposentadorias e pensões e o descongelamento do tempo de serviço. Além disso, cobra solução imediata das irregularidades do Credcesta. O Sindicato entrou com uma ação judicial exigindo a suspensão de todos os descontos feitos na folha de pagamento dos servidores públicos de Curitiba e repassados ao Banco Master.
Essas críticas se refletiram diretamente nas reações ao discurso do prefeito. Durante sua fala, Eduardo Pimentel enalteceu a entrega da UPA Cajuru, reformada com mais de R$ 1 milhão e terceirizada à FEAS, como avanço na área da saúde. A afirmação, no entanto, foi imediatamente contestada por servidoras da enfermagem que atuaram por anos na unidade e que hoje enfrentam a precarização do trabalho e a terceirização do serviço. Uma servidora da saúde relatou o impacto da mudança. “Depois de 19 anos, simplesmente nos tiraram da UPA. Trabalhamos na pandemia, enfrentamos tudo sem qualquer valorização. Agora dizem que nossos serviços não são mais necessários. Gastaram cerca de um milhão de reais numa reforma, mas os equipamentos eram da gestão anterior e a empresa terceirizada não investiu nada. A gente se pergunta onde foi parar esse dinheiro”, afirmou. Ela também denunciou a perda de benefícios e alertou para o avanço da terceirização. “Não temos vale-refeição, fomos remanejadas e perdemos direitos. A intenção é terceirizar todas as UPAs e unidades básicas. Por isso estamos aqui, para não nos calar.”
Na mesma linha de insatisfação, na educação o clima também foi de cobrança. Ao mencionar a importância do piso salarial, Pimentel ouviu vaias das servidoras da educação infantil, que afirmam que o município não cumpre integralmente a legislação federal. Representantes da categoria explicaram que o piso não está incorporado à tabela salarial. “O que a gente reivindica é o piso nacional na tabela, não como complementação. Começamos a receber agora em janeiro o piso referente a 2025, enquanto já existe uma nova portaria, publicada em 21 de janeiro, que estabelece o piso em R$ 5.130 para este ano de 2026. Nosso valor na tabela está em torno de R$ 4.700. Assim, nunca há crescimento real, porque qualquer reajuste municipal vem acompanhado de desvalorização e achatamento da carreira”, afirmou uma servidora. Segundo ela, a situação fere a legislação federal. “Existe uma lei nacional de valorização do magistério, mas o prefeito de Curitiba não cumpre essa lei.”
Além da saúde e da educação, outro ponto de forte reação dos servidores foi a fala do prefeito sobre os descontos vinculados ao Banco Master. Pimentel afirmou que determinou a suspensão de novos descontos e que a Prefeitura já encaminhou três notificações para a extinção do contrato. Para os aposentados, no entanto, a resposta não é suficiente diante dos prejuízos já causados. A servidora aposentada Maria Luíza, professora por 16 anos no município e aposentada há três, relatou o impacto direto no orçamento. “A gente já tem o desconto dos 14%, que pesa muito no salário. Além disso, apareceu esse desconto do Banco Master, de forma abusiva. Tem gente que fez empréstimo, mas eu não fiz, e mesmo assim o desconto veio. Ninguém explica direito e nem mesmo o que fazer para acabar com isso. É injusto com quem trabalhou a vida inteira.”
Compromissos firmados: mais promessas?
Em meio às críticas e à pressão do Sindicato, a mobilização arrancou compromissos públicos do prefeito. Durante o discurso, Eduardo Pimentel afirmou que pretende enviar à Câmara Municipal, nos próximos dias, até o dia 10 de fevereiro, o projeto de lei que autoriza a realização de concurso público para 15 carreiras do serviço público municipal. “Eu já autorizei a contratação da empresa que vai organizar as vagas para o concurso público de 15 carreiras”, afirmou, acrescentando que a medida faz parte do planejamento para recomposição do quadro funcional.
Além disso, o prefeito também se comprometeu com o descongelamento do tempo de serviço, afirmando que as diretrizes para a contagem de tempo e para a licença-prêmio serão apresentadas até março de 2026, além de mencionar investimentos em progressões e pagamentos de licença-prêmio realizados no último ano. Em relação ao Banco Master, reiterou que a Prefeitura busca romper o contrato firmado em 2023.
Para o SISMUC, no entanto, os anúncios precisam sair do discurso e se transformar em ações concretas. A direção sindical avalia que, após um ano de mandato, não há mais espaço para justificativas. No próprio pronunciamento, Pimentel afirmou que 2025 foi um ano de planejamento e organização e que 2026 será o momento de efetivar as propostas.
“Cobramos que esses compromissos se traduzam em valorização real. Temos muitas promessas feitas durante a campanha eleitoral e que até agora só ficaram no discurso. A mobilização de hoje integra um calendário permanente de lutas do SISMUC e dos trabalhadores. A categoria segue em estado de greve e manterá a pressão sobre o Executivo e o Legislativo ao longo de 2026”, destacou Juliana Mildemberg. Ela acrescentou: “Somente com organização, presença nas lutas e unidade da categoria será possível garantir concursos públicos, valorização salarial, fim das terceirizações e respeito aos servidores que sustentam o funcionamento da cidade e efetivam as políticas públicas. Curitiba merece o melhor e isso só acontecerá com servidores valorizados e serviço público forte.”