Nota da APP-Sindicato denuncia “o desprezo do governador Ratinho Jr. pela educação"
Entidade destaca que a data-base e a reestruturação dos(as) Agente I só foram enviados para Alep por conta da intensa mobilização, mas que a categoria vai continuar a luta pelas demais reivindicações
Publicado: 01 Abril, 2026 - 12h27
Escrito por: APP-Sindicato
A direção estadual da APP-Sindicato reuniu em uma nota pública o posicionamento da entidade sobre as decisões anunciadas pelo governador Ratinho Jr. em resposta às mobilizações realizadas pela categoria em todo o estado para o atendimento das reivindicações da campanha salarial. O documento denuncia o autoritarismo do governador e seu desprezo com os(as) trabalhadores(as) da educação, principalmente por não enviar a proposta de equiparação salarial do magistério para os(as) deputados(as) votarem.
“O governador alardeia aos quatro ventos que o Paraná tem a “melhor educação do país”, mas encobre que isso se dá às custas da defasagem salarial, do assédio, da punição, do adoecimento das(os) educadoras(es). Este governo transformou o Paraná em um balcão de negócios para privilegiar os mais ricos, avançando na privatização do Estado e das escolas,” destaca a nota.
O texto enfatiza que o anúncio de 5% de data-base, ainda insuficiente, e a reestruturação da carreira dos(as) Agente de Apoio só foram enviados para votação na Assembleia Legislativa do Paraná por conta da intensa mobilização, mas que a categoria vai continuar a luta pelas demais reivindicações.
Leia abaixo a íntegra da nota.
O desprezo do governador Ratinho Jr. pela educação paranaense
Neste último ano, temos feito, incansavelmente, a luta pela equiparação salarial do magistério em relação a outras categorias do Executivo paranaense. O magistério é a única categoria que não teve mudanças em sua carreira durante o governo Ratinho Jr. E de tanto retirar direitos e salários do magistério, o Paraná paga hoje o terceiro pior salário às(aos) suas(seus) professoras(es), segundo pesquisa recém-publicada em jornal de grande circulação nacional. Também insistimos nos ajustes na tabela dos agentes I e II e por uma forma de reajuste para as(os) aposentadas(os).
No que se refere à equiparação salarial do magistério, a luta nos levou à constituição de um grupo de trabalho composto pela APP-Sindicato e três secretarias de Estado (Sefa, Seap e Seed). Foram meses de discussões e idas e vindas em negociações até que se chegasse ao relatório final, assinado por todas(as) – nós e as secretarias -, demonstrando haver viabilidade na proposta, principalmente sob o aspecto financeiro.
Do grupo de trabalho, o documento foi encaminhado à Casa Civil e às mãos do governador. No entanto, o posicionamento autoritário do governador foi o de NEGAR a proposta. Mais uma vez, Ratinho Jr. demonstra o seu profundo descaso e desprezo pelo magistério. Outras pautas que estão na nossa campanha salarial, como a que ajusta o tempo de serviço na carreira das(os) Agente II e a garantia por uma lei de reajuste às(aos) aposentadas(os) sem paridade, também foram negadas por Ratinho.
E mesmo o anúncio de 5% de data base para todas(os) servidoras(es) – insuficiente diante das perdas salariais acumuladas – e a adequação da carreira das(os) Agente Educacional I só veio por meio da intensa luta unificada das(os) servidoras(es), no Fórum das Entidades Sindicais (FES).
O governador alardeia aos quatro ventos que o Paraná tem a “melhor educação do país”, mas encobre que isso se dá às custas da defasagem salarial, do assédio, da punição, do adoecimento das(os) educadoras(es). Este governo transformou o Paraná em um balcão de negócios para privilegiar os mais ricos, avançando na privatização do Estado e das escolas.
Resistiremos! A escola pública resistirá!
Iniciamos 2025 mobilizando a categoria para a equiparação salarial. Na Campanha salarial de 2026, reafirmamos como centralidade os ajustes nas carreiras das(os) Agente I e II e uma política de reajuste para as(os) aposentadas(os) sem paridade, além da data-base.
Sabíamos que diante deste governo autoritário, que desvaloriza o funcionalismo público e tem como projeto a privatização total do Estado, as dificuldades que teríamos para avançar seriam grandes. Mas fizemos a luta. E o que é da luta não se perde, é horizonte para mais.
Por isso, continuaremos insistindo para que a equiparação ocorra, assim como outros itens da pauta que também fazem justiça às(os) funcionárias(os) de escola e aposentadas continuarão no nosso horizonte de lutas.
Se o governador, no alto de sua prepotência, nos diz não, mais mobilizadas(os) precisaremos estar para fazer frente ao descaso e ao desprezo com que ele disse esse não. E não é a primeira vez que ele faz isso. É algo recorrente ao longo destes quase oito anos. E, ao longo deste período, não nos faltou resistência, como não nos faltará agora.
Quem tem medo de formiga, não atiça o formigueiro!
Não daremos trégua: nossa luta é e sempre será contra a destruição das políticas públicas, da escola pública e por melhores condições de trabalho e salário para as(os) professoras(es) e as(as) funcionárias(os) de escola. Nesses 79 anos, não nos faltou o calejamento da luta. E continuaremos assim até o fim deste governo ou de outros que venham com suas políticas autoritárias e truculentas.
Não desistiremos: Justiça Salarial Já!
A direção da APP-Sindicato convocará a categoria para o debate dos futuros passos e deliberações da luta.
Direção Estadual da App Sindicato
Curitiba, 31 de março de 2026