Paraná tem o 3º pior ritmo de investimento em educação do País
Abaixo da média nacional (111,9%), o investimento cresceu apenas 76,1% entre 2018 e 2025, amargando o 25º lugar
Publicado: 24 Julho, 2026 - 10h14 | Última modificação: 24 Julho, 2026 - 10h21
Escrito por: APP-Sindicato
O governo do Paraná está entre os três piores do país no ritmo de investimento na educação pública. É o que revela uma nota técnica elaborada pela assessoria econômica da APP-Sindicato, com base em dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).
Intitulado “O subfinanciamento da Educação no Paraná (2018–2025)”, o levantamento mostra que, enquanto o conjunto das unidades da Federação aumentou os gastos com educação em 111,9% em média no período, o Paraná registrou uma elevação de apenas 76,1% — 35,8 pontos percentuais abaixo da média nacional.

Como resultado, o estado que ostentava o terceiro maior orçamento educacional do país em 2018 despencou para a 25ª posição na evolução dos aportes.
“Ao priorizar o orçamento para a compra de plataformas privadas, terceirizações e projetos de privatização em detrimento da valorização do pessoal, o governo cobra um custo social devastador da educação pública. Quem paga a conta é a categoria, que padece com defasagem salarial, sobrecarga, adoecimento e a extrema precarização via contratos temporários, e os próprios estudantes”, critica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto.
Valores em reais (R$), despesa na função Educação. Fonte: Siconfi.
| Rank | UF | Despesa 2018 (R$) | Despesa 2025 (R$) | Variação (R$) | Var. % |
| 1 | AL | 794.823.083 | 3.096.606.273 | 2.301.783.190 | 289,6% |
| 2 | PE | 2.959.287.374 | 8.713.923.146 | 5.754.635.772 | 194,5% |
| 3 | RR | 535.638.564 | 1.549.166.621 | 1.013.528.057 | 189,2% |
| 4 | ES | 1.366.335.975 | 3.910.034.565 | 2.543.698.590 | 186,2% |
| 5 | SC | 3.304.637.279 | 8.913.213.173 | 5.608.575.895 | 169,7% |
| 6 | BA | 5.025.416.038 | 13.152.710.092 | 8.127.294.054 | 161,7% |
| 7 | PA | 3.546.675.919 | 8.960.962.693 | 5.414.286.774 | 152,7% |
| 8 | RN | 1.389.656.242 | 3.441.547.353 | 2.051.891.111 | 147,7% |
| 9 | RO | 1.174.121.120 | 2.891.055.691 | 1.716.934.572 | 146,2% |
| 10 | SE | 966.603.073 | 2.325.305.927 | 1.358.702.854 | 140,6% |
| 11 | CE | 3.263.912.973 | 7.270.117.792 | 4.006.204.819 | 122,7% |
| 12 | AC | 1.325.786.513 | 2.916.859.747 | 1.591.073.234 | 120,0% |
| 13 | AM | 2.884.718.221 | 6.276.931.362 | 3.392.213.141 | 117,6% |
| 14 | SP | 33.481.869.080 | 71.636.064.727 | 38.154.195.647 | 114,0% |
| 15 | RS | 4.013.942.482 | 8.519.039.651 | 4.505.097.170 | 112,2% |
| 16 | MA | 2.855.582.006 | 6.054.574.540 | 3.198.992.534 | 112,0% |
| 17 | AP | 1.072.566.344 | 2.242.656.315 | 1.170.089.971 | 109,1% |
| 18 | PI | 1.608.481.983 | 3.317.481.117 | 1.708.999.134 | 106,2% |
| 19 | MS | 1.805.036.433 | 3.668.430.711 | 1.863.394.278 | 103,2% |
| 20 | TO | 1.261.403.702 | 2.553.325.558 | 1.291.921.855 | 102,4% |
| 21 | MT | 2.796.153.789 | 5.649.661.077 | 2.853.507.288 | 102,1% |
| 22 | MG | 9.849.272.725 | 19.119.769.089 | 9.270.496.364 | 94,1% |
| 23 | PB | 2.197.971.672 | 3.960.935.616 | 1.762.963.943 | 80,2% |
| 24 | DF | 4.412.247.925 | 7.898.024.128 | 3.485.776.203 | 79,0% |
| 25 | PR | 9.512.106.949 | 16.752.743.100 | 7.240.636.151 | 76,1% |
| 26 | GO | 4.465.912.848 | 7.313.502.795 | 2.847.589.947 | 63,8% |
| 27 | RJ | 6.747.982.958 | 10.753.230.622 | 4.005.247.664 | 59,4% |
| TOTAL / MÉDIA | 114.618.143.271 | 242.857.873.483 | 128.239.730.212 | 111,9% | |
Linha destacada: Paraná (25º). Última linha: total/média das 27 unidades.
Bilhões a menos
O estudo aponta que, caso o estado tivesse acompanhado a média nacional, a educação paranaense teria recebido cerca de R$ 20,2 bilhões em 2025. No entanto, o montante efetivamente aplicado foi de R$ 16,8 bilhões. A diferença representa R$ 3,4 bilhões a menos investidos nas escolas, na infraestrutura e na valorização dos profissionais da rede em um único ano.
O fraco desempenho paranaense contrasta com o de estados vizinhos da Região Sul, como Rio Grande do Sul (112,2%) e Santa Catarina (169,7%), o que demonstra que a estagnação local não decorre de crises fiscais regionais, mas de uma escolha política de prioridades.
Além disso, ao descontar a inflação acumulada do período (50,6%), o crescimento real do gasto paranaense cai para escassos 17% em sete anos — contra 41% da média nacional. Na prática, o poder de compra da rede estadual estagnou, sufocando o atendimento a demandas históricas da categoria.
Segundo Walkiria, esse sufocamento estrangula a infraestrutura das escolas, a merenda, o transporte e o apoio pedagógico. “Não existe qualidade de ensino sem valorização, dignidade e estabilidade para quem está na sala de aula. Valorizar o profissional da educação é a única precondição real para combater a desigualdade”, insiste Walkiria.
Para a dirigente, reverter esse cenário exige recompor o orçamento em patamares equivalentes ao menos à média nacional, pactuando um plano plurianual focado em infraestrutura, aprendizagem e valorização profissional. Isso inclui a recomposição salarial, o cumprimento do piso nacional, o fim da precarização e o envio do projeto de lei de equiparação do quadro de funcionários (QPM/QPPE) à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).
Desvio de finalidade
A nota técnica também joga luz sobre o uso das verbas federais. Embora o governo comemore a liderança no recebimento da complementação do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR) do Fundeb — com R$ 620,6 milhões recebidos —, os recursos não têm sido revertidos para quem faz a educação acontecer.
Dados da própria gestão apontam que, do montante do VAAR no exercício de 2025 (cerca de R$ 530 milhões), R$ 250 milhões foram destinados a serviços de terceiros e pessoas jurídicas, irrigando projetos como o Parceiro da Escola. Outros R$ 52 milhões foram direcionados a serviços de tecnologia da informação, incluindo plataformas digitais pagas.
Para o economista da APP-Sindicato, Cid Cordeiro, essa política drena recursos públicos valiosos: “Os indicadores de qualidade da educação são construídos pelos educadores em sala de aula. Contudo, esse recurso extra está sendo drenado pela terceirização, o que precariza as relações de trabalho. O governo aproveita o bom desempenho da escola pública para alimentar um modelo que, paradoxalmente, tende a piorar a qualidade do ensino no futuro.”
:: Confira a nota técnica “O subfinanciamento da Educação no Paraná (2018–2025)” <<