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Ratinho quer privatizar uma das melhores empresas de banda larga do Brasil

Em entrevista, governador eleito sinaliza com privatização de ativos da Copel, incluindo sua subsidiária telecom

Publicado: 30 Novembro, 2018 - 11h29

Escrito por: Gibran Mendes

Orlando Kissner / AEN
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O governador eleito do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), sinalizou em entrevista ao jornal Valor Econômico a privatização da Copel Telecom, eleita recentemente a melhor empresa de banda larga do Brasil, pode ser privatiza nos próximos anos. A declaração aconteceu durante um evento nesta semana com investidores da empresa na Bolsa de Nova York.  "Vamos discutir a venda da Copel Telecom em um momento oportuno", apontou Ratinho em entrevista ao jornal.

 

A declaração causou imediatas reações, tanto de entidades de classe, como de parlamentares e internamente na empresa. Uma fonte ouvida pela reportagem, que pediu para não ser identificada, acredita que o filho do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, deve seguir um caminho de discurso fácil para justificar a venda da empresa.

“Podem falar que a empresa dá prejuízo, mas ela está em fase de investimento. Tem um valor de mercado muito grande e, além disso, uma tecnologia que dificilmente você encontra em outra empresa. Há um grande potencial para crescimento.  Os custos agora são altos para ampliar a base instalada até seja atingida a totalidade da cobertura dos 399 municípios do Estado”, relata a fonte que trabalha na Copel Telecom. 

Ela também contestou a entrevista do governador eleito que diz que, privatizada, a empresa ficaria a margem das amarras da burocracia administração pública. “Isso é um mito. Basta ter planejamento e esse tipo de problema não existe. É só não deixar tudo para decidir em cima da hora”, contestou. Segundo o site da Copel Telecom, atualmente são mais de 30 mil km de cabeamento em todo o Estado com todos os 399 municípios com rede de fibra óptica da empresa de ponta a ponta, o que facilitará a expansão dos serviços.

Ainda segundo essa fonte da empresa, logo chegará a fase da empresa colher os resultados dos investimentos que estão sendo realizados. “Hoje, além da questão da qualidade, também há questão do investimento social. Hoje chegamos onde nenhuma outra internet chega, atendendo escolas estaduais e serviços públicos do Estado. Há um programa para levar internet para cidades com até 10 mil habitantes. É a única que chega nestes lugares. Se não fosse estatal, chegaria?” questiona.

A declaração de Ratinho Júnior também repercutiu na Assembleia Legislativa do Paraná. O deputado reeleito, Professor Lemos (PT),  criticou a possibilidade de uma eventual venda de ativos, inclusive da Copel Telecom. “O investimento é para levar óptica para todo o Paraná, então, é investimento e não gasto. Agora vai começar a colher os frutos. A população tem procurado instalar a internet da Copel porque ela é de qualidade e isso tudo sem propaganda, apenas com os usuários falando uns para os outros que o serviço é bom. Tanto em nosso gabinete na assembleia, quanto na minha residência, é a internet que usamos”, atestou.

O deputado também destacou o papel estratégico da empresa, uma vez que  internet hoje é um serviço essencial, também para a vida do cidadão, quanto para o Estado e o setor privado. “Não pode abrir mão daquilo que é estratégico para o desenvolvimento do Estado e do seu povo. O estado deve continuar investindo. Agora é o momento da colheita Dos frutos. Não dá para abrir mão. Além do que, para chegar em comunidades remotas, municípios pequenos, é o Estado. É o poder público que tem condições e interesses de chegar. Sem uma empresa como esta as pequenas comunidades ficarão desprovidas. A internet hoje não é mais luxo, não é supérfluo, é necessário para a vida de todos”, analisou o parlamentar.

Lemos contestou o discurso de modernização do governador eleito. “Ratinho tem dito que dseja fazer gestão moderna, tornando o Paraná o estado mais moderno do País. Então é um equivoco privatizar a Copel Telecom sendo que é uma das empresas mais moderna e respeitada, tanto no Brasil quanto fora do País. Evidentemente que ele ainda fala em momento oportuno, em discussões porque ele  não é governado. Será empossado em janeiro, assim como nós na Assembleia na Legislativa, e ai vamos promover o debate  necessário, como já fizemos no passado, para que não aconteça a privatização”, projetou.

Contudo, mesmo com esses investimentos, a empresa segue apresentando resultados satisfatórios.  “A Receita Operacional Líquida teve acréscimo de R$ 57,2 milhões em 2017, 17,7% a mais do que em 2016. O lucro líquido atingiu R$ 54,1 milhões no último ano, com projeção de expandir a base de clientes para melhores resultados nos próximos anos”, diz trecho de nota do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), que critica a possibilidade de venda da empresa.  Atualmente, dos 8 mil trabalhadores da Copel, apenas 500 são ligados diretamente à subsidiária telecom.

“No caso da Copel Telecom, a justificativa para a venda seria dar mais agilidade e competitividade à empresa. Os números da Telecom, no entanto, comprovam um alto índice de rentabilidade e eficiência no serviço, inclusive com crescimento acima da média do setor no Paraná. Em 2017, o número de novos assinantes dos serviços de banda larga cresceu 11,3%, comparado a 2016. Já a Copel Telecom cresceu 34% com relação ao número de assinantes”, diz outra passagem do texto.

O Sindicato ainda aponta para a satisfação dos clientes com relação à empresa e o reconhecimento da qualidade dos serviços prestados, sobretudo, em um setor onde há grande insatisfação por parte dos consumidores. “A adesão de mais clientes ao serviço da Copel Telecom é resultado direto da qualidade oferecida pela empresa pública. A empresa atua com tecnologia 100% em fibra óptica e foi reconhecida com a internet mais veloz, segundo o portal Minha Conexão, e como a melhor operadora de banda larga fixa no Paraná, conforme levantamento feito pela Anatel em abril de 2017. Outros prêmios que comprovam o equívoco na análise do futuro governador é o destaque no Anuário Telecom – por quatro anos consecutivos -, como uma das 10 empresas com maior crescimento de receita, e o Anuário Telesintese pelos projetos de inovação”, reforça a publicação.

Compagas – Outra subsidiária da Copel que pode estar na mira da privatização de Ratinho Júnior é a Compagas, empresa controlada pela Copel que atende setores residenciais, comerciais, de veículos e também industrial. São cerca de 40 mil clientes em 17 municípios atendidos pela subsidiária.

A possibilidade também foi alvo de críticas de diversos setores envolvidos, inclusive do Senge. “No caso da Compagas, responsável pela distribuição de gás natural no Paraná, os números também são de uma empresa sustentável e em expansão. Em 2017, o número de clientes cresceu 10%, chegando a 39 mil consumidores, com lucro líquido de R$ 65,6 milhões no ano”, relata o sindicato.

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