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Trabalhadores da alimentação fazem atos no Paraná por salários e condições dignas

FTIA realizou manifestação em Curitiba nesta quinta-feira (13) e outros atos acontecem em várias cidades do estado

Publicado: 13 Novembro, 2025 - 13h29 | Última modificação: 13 Novembro, 2025 - 16h50

Escrito por: CUT-PR

Gibran Mendes
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A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado do Paraná (FTIA-PR) realizou, na manhã desta quinta-feira (13), uma manifestação em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba. O ato reuniu representantes de 18 sindicatos filiados à Federação e faz parte de uma série de mobilizações que a categoria vem realizando em todo o estado para cobrar avanços nas campanhas salariais e denunciar a falta de valorização dos trabalhadores do setor. Ainda na quinta-feira, a categoria protesta em Carambeí no período da tarde, e nesta sexta-feira (14) será a vez da unidade de Ponta Grossa. As mobilizações têm como foco pressionar os patrões a avançarem nas negociações coletivas, já que várias datas-base da categoria estão vencidas.

Na agenda de atos, além da manifestação em frente à Fiep, uma mobilização na unidade da MBRF em Dois Vizinhos abriu a maratona de protestos da categoria, na quarta-feira (12).  As mobilizações têm como foco pressionar os patrões a avançarem nas negociações coletivas, já que várias datas-base da categoria estão vencidas.

Segundo o presidente da FTIA Paraná, Ernane Garcia, as negociações têm sido marcadas pela falta de resposta do patronato e também de disposição patronal em atender às reivindicações. “Estamos com datas-base de maio e setembro sem fechar. As empresas dizem que não têm condições, que estão esperando reuniões e assembleias para apresentar propostas, e quando apresentam, falam apenas em parte da inflação. Isso é inaceitável”, afirma.

Ernane lembra que os trabalhadores da alimentação não pararam nem durante a pandemia e continuam garantindo a produção de alimentos para o mercado interno e para exportação. “Somos nós que colocamos comida na mesa do povo e mesmo assim seguimos ganhando menos do que o piso regional, que hoje é de R$ 2.123. Fabricamos alimentos, mas muitos não conseguem levar a cesta básica para casa”, critica.

O dirigente ainda chama atenção para as condições precárias de trabalho e para os acidentes e doenças ocupacionais nas fábricas, situação já conhecida de quem trabalha no meio. “Temos muitos trabalhadores doentes, mutilados e até mortos em razão do ritmo intenso de produção e dos baixos salários. O que está acontecendo é um verdadeiro massacre na indústria paranaense”, afirma. De acordo com ele, tem crescido muito o número de suicídios na categoria em virtude de fatores como assédio moral, pressão excessiva e baixos salários.

Outro ponto destacado por Garcia é o fato de que as empresas, muitas vezes, se negam a mudar as gestantes de função ou para espaços mais adequados, além de não aceitarem atestados médicos. “Como resultado temos abortos, que têm crescido em toda a estrutura fabril no Paraná. Há inclusive decisões judiciais neste sentido”, completa.

“Queremos respeito e um salário digno para quem trabalha duro, dia e noite, produzindo riqueza para o Paraná e para o Brasil”, concluiu Ernane. Também se fizeram presentes, em apoio às manifestações, representantes das confederações nacionais da Alimentação e a UITA – União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação, que se comprometeram a levar as denúncias apresentadas para o cenário nacional e internacional.